Um dia depois de o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, anunciar sua saída do governo e diante da pressão do PMDB para que integrantes do partido trilhem o mesmo caminho, a presidente Dilma Rousseff afirmou ter total confiança no seu vice, Michel Temer, e de ter esperanças de que Padilha permaneça no cargo. ?Espero integral confiança do Michel Temer e tenho certeza que ele a dará. Eu conheço o Temer como político, como pessoa, como grande constitucionalista?, afirmou.
Ao mesmo tempo que elogiou o ministro Padilha, a presidente cobrou de forma indireta sua manutenção no governo. Como argumento, ela disse ter feito ?um grande esforço? para que ele permanecesse no ministério depois da reforma nas pastas. ?Eu não recebi nenhuma comunicação do ministro e ainda conto com a sua permanência?, disse.
A manutenção de Padilha no ministério, no período de reforma ministerial, se deu sobretudo pelo pedido do Michel Temer. Questionada se ficou surpresa com o anúncio do ministro, ela afirmou: ?Não sei se ele tomou uma decisão definitiva, porque não conversou comigo. Aguardo. Não tomo posição sobre coisas que não consigo entender inteiramente?.
Questionada sobre as consequências do desembarque do ministro, ela afirmou: ?Não discuto hipóteses, estou velha para discutir hipóteses?. Embora tenha rasgado elogios a Padilha, a presidente deu mostras de ter pouca familiaridade com o cargo que o peemedebista ocupa no governo.
Ao falar sobre ele, errou duas vezes o nome da pasta que Padilha ocupava. Em sua visita ao Recife (PE), ontem, Dilma voltou a dizer que não cometeu nenhum ato ilícito, que não usou dinheiro público para contemplar seus interesses e, por essa razão, não há fundamento e nem base para o impeachment. ?Estamos tranquilos, porque não existe fundamento para o processo de impeachment?, disse a presidente.
Ao dizer que não cometeu nenhum ato ilícito que justifique um processo de impeachment, Dilma voltou a atacar o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), dizendo que nunca depositou dinheiro na Suíça, numa referência às contas bancárias secretas do deputado, segundo apurou investigação da Procuradoria Geral da República.
Além dos ataques a Cunha, Dilma argumentou que o Tribunal de Contas da União (TCU) não tem poder para julgar suas contas e nem de ninguém. ?Inventaram um processo chamado pedalada?, frisou a presidente.
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