Ex-militante pela queda de Dilma muda de ideia e foca no combate à corrupção

Em depoimento à jornalista Paula Reverbel da Folha de São Paulo, neste domingo (27), a ex-militante entusiasmada de grupos que pedem a queda da presidente Dilma Rousseff, como o Vem Pra Rua e o Acorda Brasil, a empresária e socialite Rosangela Lyra agora se diz contra o impeachment.

Mais importante, diz a presidente da Associação dos Lojistas dos Jardins ? conhecida também por ser ex-sogra do jogador Kaká ?, é coletar assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular patrocinado pelo Ministério Público com medidas anticorrupção. “Hoje, para mim, passar o Brasil a limpo é mais importante que tirar o PT do poder na marra”, explica.

A seguir, os principais pontos do depoimento de Rosangela Lyra sobre o momento da política brasileira e a sua visão dos acontecimentos.

No início do ano, pensava que seria possível uma renúncia da presidente Dilma. Falava-se muito da possibilidade de ter havido fraude na reeleição, a economia estava com uma perspectiva muito ruim, o desemprego estava crescendo e havia erros de gestão. Queria que ela saísse.

Meu ponto de virada foi quando eu percebi a importância da Lava Jato e a não interferência da presidente. A gente se acostumou a mudar os personagens da história, e não o enredo. Prefiro mudar o enredo. Tem que pegar os corruptos, seja do PT, do PMDB, do PSDB, do PP.

Esse meu posicionamento vai ao encontro do que pensam os investigadores da Lava Jato. Na última coletiva, perguntaram se havia interferência do governo na operação. Os investigadores disseram que não havia. Poderiam ter se esquivado ou respondido com menos ênfase, mas foram categóricos.

Se a Lava Jato tem hoje o peso que tem, foi porque Dilma sancionou a lei que prevê a delação premiada e deixa a operação funcionar. Quem iria para a rua quando começassem as canetadas, as pessoas sendo soltas?

Hoje, para mim, passar o Brasil a limpo é mais importante que tirar o PT do poder na marra. Eu não consigo ver as duas coisas ?o impeachment e a ascensão de um político com discurso de unificação e com interesses políticos contrários à Lava Jato? possibilitando essa limpeza.

Eu chamo de evolução de posicionamento, não de mudança. As pessoas me escrevem: “Para com essa posição de ir contra o impeachment, você está queimando sua imagem”. Alguns me acusam de estar levando dinheiro do PT. Eu digo que o tempo vai corrigir qualquer distorção que eles estejam vendo.

Quando alguém diz que a Justiça e a Procuradoria só prendem gente do PMDB, e não do PT, eu pergunto: “Vocês esqueceram que João Vaccari Neto, José Dirceu e Delcídio do Amaral estão presos?”. Eles põem em dúvida a idoneidade da Procuradoria-Geral da República.

Que Dilma continue deixando a Lava Jato adquirir cada vez mais corpo e que ela enrole todos aqueles que fazem pressão para demitir o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que notadamente não interfere.

Tenho a humildade de ter mudado de opinião, por que não é fácil mudar. E tenho muita confiança de que é pelo bem do país.

*Notícias ao Minuto