Mãe fica sabendo sobre morte do filho por telegrama

Uma mãe, que não tinha conhecimento de que o filho estava preso, foi avisada por telegrama que ele foi encontrado morto na cela de um presídio no Subúrbio do Rio de Janeiro.

Conta o G1 que, após cerca de 20 dias sem notícias do filho, Gilcilene Martins de Miranda, 55 anos, recebeu na última quarta-feira (6) um telegrama enviado pelo Presídio Ary Franco.

?Na hora eu pensei: mesmo que ele esteja preso, pelo menos agora sei onde ele está?, disse.

A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informava, em duas linhas, que Breno Martins de Miranda, 20 anos, havia sido encontrado morto numa cela da unidade.

Segundo a publicação, a mensagem chegou às mãos de Gilcilene por volta das 15h, horas após a morte do rapaz. 

?Na última vez que o vimos, Breno saiu de casa dizendo que ia trabalhar como camelô. Como ele às vezes ficava pela rua, não nos preocupamos quando não voltou para casa?, disse o tio do rapaz, Gilcimar Miranda.

A mãe refere que Breno já havia sido preso uma vez por envolvimento com o tráfico de drogas de Imbariê, Duque de Caxias, onde a família vive, com um radiotransmissor. O jovem foi apontado como ?olheiro? do tráfico local e ficou cerca de um mês detido, depois foi solto.

?Ele era franzino e muito brincalhão, bobo mesmo. Tanto que nunca pegou em armas, os próprios traficantes não queriam?, afirma Gilcilene, acrescentando que o filho apresentava sinais de distúrbios psiquiátricos nos últimos meses: ?Algumas vezes ele dizia coisas sem sentido, mas ninguém dava muita atenção?.

Os familiares buscam agora entender as causas da morte. Na certidão de óbito, a causa é asfixia mecânica. Em nota, a Seap informou que Breno foi encontrado enforcado com uma camisa na cela que ocupava sozinho.

O comunicado refere que uma sindicância interna foi aberta para apurar o caso, que também será investigado pela 26ª DP (Todos os Santos).

Ainda segundo o G1, a Polícia Civil disse em nota que Breno foi preso em flagrante por roubo no dia 17 de dezembro, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio. Ele foi encaminhado por policiais militares para a 32ª DP (Taquara), onde o caso foi registrado, e em seguida levado para o Ary Franco, onde deveria aguardar decisão da Justiça.

*G1