
Quando foram encontrados, dois deles agonizavam. Um terceiro estava morto. Eram catetos, um pequeno porco selvagem brasileiro, e morreram vítimas de uma espécie de coronavírus até agora desconhecida. A descoberta do novo vírus que infecta suínos silvestres em florestas do Brasil é de uma equipe da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O local exato da descoberta é mantido em sigilo porque o estudo está em andamento.
Não há motivo para alarde porque o novo coronavírus é inofensivo para o ser humano, destacam os cientistas. Mas se trata de um alerta sobre a enorme diversidade de vírus desconhecidos no Brasil, o país que potencialmente tem o maior número de espécies desses micro-organismos. E que, frisam cientistas, assim como a China, deveria investir maciçamente em pesquisa científica antes que se tornem uma ameaça para a saúde humana e o agronegócio.
Graças à ciência foi possível a detecção rápida do coronavírus chinês, o 2019-nCoV, e o combate das epidemias de zika no Brasil e ebola, na África. “Ciência é a forma de se controlar vírus”, declarou semana passada o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus.
A China precisa estar o tempo todo de prontidão. É o país de origem de quase a totalidade das epidemias de infecções respiratórias devido à explosiva combinação de superpopulação com animais de todo tipo, confinados para consumo. De lá, antes do novo 2019-nCov, saíram as epidemias de influenza, da gripe espanhola à gripe aviária, e o coronavírus da Sars.
— Temos a Amazônia, a maior floresta tropical do mundo e certamente a que mais tem vírus. Possuímos um grande patrimônio natural. Mas é preciso conhecê-lo e saber como lidar com ele. Para o nosso bem e o da nossa economia — salienta Amílcar Tanuri, chefe do Laboratório de Virologia Molecular da UFRJ, que tem trabalhos pioneiros sobre zika e participou da contenção de epidemias de vírus ebola e marburg na África.
Fonte O Globo


