
A humanidade está vivendo um momento especial: incerteza e insegurança em todos os sentidos: saúde, financeiro, político. De repente estamos diante de um inimigo externo, invisível, que põe em risco a vida humana. Somos orientados a usar máscara e ficar em casa, para evitar o contágio por aglomeração. Isolamento social: sem beijo, sem abraço, sem aperto de mão. Essas são medidas de defesa contra o inimigo externo. Entretanto, um vírus coloca toda a humanidade num alto nível de ansiedade, estresse contínuo, crônico. A ansiedade crônica leva ao esgotamento, um estado de apatia, desinteresse, desânimo, insegurança, medo, desgosto, sentimento de fracasso… Todo esse resultado acaba invalidando o nosso sistema imunológico, inibindo a resposta de anticorpos. Nossa imunidade está fragilizada. E agora? O objeto de perigo está dentro do ser humano. O isolamento social e a máscara nos protege contra o inimigo externo. E contra o inimigo interno (ansiedade e estresse) quais as medidas a serem tomadas? Não podemos nos isolar de nós mesmos.
Segundo Sônia Del Nero (2005), a reação ao estresse varia de pessoa para pessoa. Quanto mais fortalecido é o ego, mais capacitado é o sujeito para administrar os seus problemas e as mudanças que acontecem no plano social, físico, financeiro. Conforme a tensão interna aumenta, tornando-se severa e contínua, pode ocorrer uma descompensação psíquica, que pode evoluir para uma desintegração do ego. Os efeitos podem ser parcialmente reversíveis, ou irreversíveis.
Sendo o mundo exterior um espelho em que tudo o que vemos somos nós mesmos, a grande receita está na célebre frase de Sócrates: “Conhece-te a ti mesmo.” A proposta é abrir os nossos ouvidos internos, estudar o sentido e as regras do jogo da vida, identificar e compreender nossas dores, tensões e sofrimentos, a fim de detectar a mensagem e fazer o que for necessário para a nossa transformação, pois a evolução é impossível sem mudança. Tudo se resume no autoconhecimento. Temos de ver como de fato somos.
Thorwald Dethlefsen e Rudiger Dahlke (2007) diz que “O eu está para o Eu superior como um copo de água está para o oceano. O nosso Eu superior é uma totalidade. O caminho de cura é a trilha que nos conduz até o Eu superior, da prisão para a liberdade, da polaridade para a unidade. Só na unilateralidade é que qualquer princípio se torna perigoso. O calor representa para a vida o mesmo risco que o frio constante. Só no equilíbrio das forças é que existe paz. A cura só pode ocorrer na consciência. Muitas vezes é preciso passar por processos intensos e profundos para encontrarmos aquilo que até o momento nos empenhamos em evitar. A psicoterapia não cria iluminados. O único caminho verdadeiro que leva à meta é longo e árduo, e só pode ser trilhado pela própria pessoa, e poucos conseguem. A psicoterapia nos ajuda a trilhar este caminho.”
Jean Gebser: “A mudança necessária do mundo e da humanidade, de forma alguma, é obtida com a tentativa de melhorá-las; as pessoas que tentam melhorar o mundo em seus esforços para o que consideram ser sua tarefa, não conseguem melhorar a si mesma, elas entram no jogo traiçoeiro de induzir os outros a desempenhar aquilo para o que elas mesmas têm preguiça, todavia, os aparentes sucessos que visam obter não as livram do peso de terem traído não só o mundo, como também a si mesma.”

Gilnês Sampaio
Psicanalista




