
Barba, cabelo e bigode “na régua”; sobretudo xadrez em tons de cinza, preto e branco; unhas coloridíssimas, feito o arco-íris. Gilberto José Nogueira Júnior apareceu assim, todo estiloso, do outro lado da tela, para conversar com o EXTRA. O economista que o país aprendeu a amar como o espalhafatoso Gil do Vigor, durante o “BBB 21”, tem todos os tons: do menino nascido em família pobre e problemática em Jaboatão dos Guararapes (PE), cujo sonho de se tornar modelo foi minado pelo pai, de quem herdou o nome e muitas cicatrizes, ao homem que libertou sua sexualidade aos olhos de todo o Brasiiiiiiiiiil, e mesmo ficando em quarto lugar no pódio do reality show conquistou milhões — em seguidores e dinheiro — por seu carisma e sua autenticidade. Até livro, em tempo recorde, ele lançou: “Tem que vigorar!” (Globo Livros, 128 páginas, R$ 29,90), em que compartilha detalhes de sua história sofrida, chegou às prateleiras no último dia 10.
Neste Mês do Orgulho LGBTQIAPN+, Gil é visto com admiração por sua comunidade e já carrega a responsabilidade de ser uma referência. Funcionário da Globo até embarcar, em setembro, para cursar seu PhD na Califórnia (EUA), ele enfatiza que os estudos são sua prioridade e que tem experimentado com cautela o mundo da fama: “Se não der certo, eu me escondo. Não tenho problema com isso, não. Vou morar bem longe”.
O personagem do filme queria proporcionar ao filho uma vida melhor. Era isso o que eu também procurava pra mim e pra minha família. A maior felicidade é olhar para trás e se reconhecer como um homem que lutou e conseguiu as coisas que queria. Eu batalhei muito e, finalmente, encontrei a felicidade. Mas é óbvio, amiga, uma parte dela ainda me falta: a referente ao amor, aos beijos na boca… Eu chego lá um dia.
E como está sua vida amorosa, atualmente?
Estou me entendendo com uma pessoa. É um cara anônimo, incrível! Sou apaixonado nele faz tempo, mas só agora que a gente está conversando. Vamos ver no que vai dar.
No livro “Tem que vigorar!”, você conta que com 11 anos, já se percebia diferente. O primeiro beijo foi numa menina, na intenção de beijar um amigo. Aos 15, falou para a mãe que sentia atração por homens. E aos 16 tentou investir num relacionamento com uma garota. Nunca namorou homens, foi só “cachorrada”?
Nunca namorei com rapazes… Isso me falta.
Além de ser uma biografia, você colocaria seu livro na estante de autoajuda?
São desabafos. As pessoas podem conhecer a minha história e se espelhar nela. Meus escritos tinham um viés religioso. Eu achava que seria profeta da Igreja (de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias) e registrava memórias para depois, sei lá, fazer um livro profético. Mas achava que ninguém fosse ler. Tenho facilidade de colocar os pensamentos no papel. Sou acadêmico, escrevo um artigo de 30 páginas em dois dias. Meu texto é simples, mas veio do coração. Tem ali boa parte do que vivi e superei.
No próximo dia 14 , você completa 30 anos. Já ouviu falar em retorno de Saturno (segundo a astrologia, o planeta demora 29 anos para completar um ciclo e, nessa fase da vida, promove grandes reflexões e transformações)? Acredita que esteja acontecendo com você?
Trintei, Brasiiiiiiiiiil! Sim, eu já fiz meu mapa astral. Tenho que acreditar, né? Minha vida fez isso (estala os dedos). Continuo o mesmo Gil da cachorrada, que brinca. Tento ser o mais humilde possível porque nessa vida nós só somos o reflexo do que as pessoas permitem que nós nos tornemos. Milhares delas me deram a chance de “regojijar”, e sou grato. Esse Saturno está babado, viu? Minha vida está recomeçando. Por mais que eu tenha sonhado, ver acontecer é diferente. Gente, eu estou conversando com um alemão que vai ser meu colega de quarto em Davis (na Califórnia). Aaaiii! Engraçado que ele estava vendo valor, e eu falei: “Dinheiro, pra mim, não é mais problema”. Gente, quem é ela??? Tô chocado! É muito louco… Amiga, todo pobre já brincou com isso: “Querida, vou ali em São Paulo passar um fim de semana”, “Garota, eu vou pra Califórnia”, “Vou dar um pulinho ali em Paris”.
Fonte: Extra





