
Em meio às festas do Carnaval, a taxa de testes com resultado positivo para Covid-19 subiu em todo o Brasil, segundo levantamento da Dasa. O número, de acordo com a rede, vem subindo paulatinamente desde o início de fevereiro e deve manter essa tendência nas próximas semanas. As informações são da Folha de São Paulo.
Considerando dados de mais de mil laboratórios da rede no país, a taxa de resultados positivos na semana de 3 a 9 de fevereiro era 17%. No período de sete dias seguinte, de 10 a 16, o percentual subiu para 19%. Já no intervalo de 17 a 23, que abrange os dias de Carnaval, passou para 23%.
O levantamento também observou uma maior prevalência da XBB, uma subvariante da ômicron, nas amostras colhidas.
Segundo o projeto da Dasa que faz vigilância genômica do coronavírus, o Genov, essa sublinhagem se sobrepôs às subvariantes BQ.1 e a BA.5 -esta última era uma das que predominavam em amostras sequenciadas pela iniciativa.
José Eduardo Levi, coordenador do Genov, afirma que as aglomerações causadas pela folia e o avanço da subvariante estão por trás do crescimento dos diagnósticos positivos.
“Se a gente tivesse o Carnaval sem uma nova variante, não teria esse aumento. E se a gente tivesse somente uma nova variante, também não teria tido esse aumento”, afirma.
E, mesmo com o fim do Carnaval, a expectativa é de que o número continue crescendo. Levi diz que a folia multiplica o número de novos casos, e os foliões infectados podem levar o vírus a outras pessoas.
“O Carnaval é um fator multiplicador. Ele faz com que um monte de gente se ‘positive’, e essas pessoas saem levando para outras.”
No estado de São Paulo, os números são mais altos do que os observados no resto do país. De 3 a 9 de fevereiro, o estado apresentou taxa de 22%. Uma semana após, subiu para 25% e, nos dias que compreenderam o Carnaval, aumentou para 28%.
Com base em dados de outras variantes e subvariantes do coronavírus, Levi afirma que o cenário atual deve ser de um pico rápido de novos casos e com queda igualmente acelerada. Ele diz acreditar que a taxa de positividade alcance em torno de 35% nas próximas semanas. Após isso, o número deve começar a cair em meados de março, voltando então para um patamar mais baixo.




