Bolsa tem forte queda e dólar sobe em semana marcada por ameaça de Trump ao Brasil

Trump confirma tarifa de 50% contra Brasil e diz que falará com Lula "em algum momento"; mercado reage com cautela

O dólar encerrou o pregão desta sexta-feira (11) em leve alta de 0,1%, cotado a R$ 5,5479, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, fechou em queda de 0,41%, aos 136.187 pontos. O desempenho dos mercados reflete a tensão crescente em torno do anúncio de novas tarifas dos Estados Unidos contra o Brasil.

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A medida foi confirmada pelo presidente norte-americano Donald Trump, que fixou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, a maior entre os 23 países já notificados. O chamado “tarifaço” segue afetando diretamente o comportamento de investidores e analistas, que buscam avaliar os possíveis impactos sobre setores estratégicos da economia brasileira, como o de exportação.

Nesta sexta, Trump afirmou que pretende conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas “em algum momento, não agora”, sinalizando descontentamento com o tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela Justiça brasileira. Lula, por sua vez, respondeu que o Brasil está aberto à negociação, mas exigiu respeito às leis brasileiras e disse que poderá acionar a Lei da Reciprocidade Econômica caso o impasse persista.

Enquanto isso, o mercado reage com cautela. Empresas exportadoras como a Embraer sentiram os efeitos imediatos. Os papéis da companhia caíram mais de 1% nesta sexta-feira, após registrarem queda de mais de 3% na véspera.

A nova tarifa dos EUA deve entrar em vigor a partir de 1º de agosto, caso não haja reversão diplomática. Analistas alertam que, sem acordo, os impactos podem ser severos para cadeias produtivas ligadas à exportação, incluindo agronegócio, siderurgia, aviação e energia.

Além do Brasil, Trump também anunciou, na noite de quinta (10), tarifa de 35% sobre importações do Canadá e afirmou que a União Europeia será notificada sobre novas taxas ainda nesta sexta. Desde o início da semana, o governo americano tem intensificado a política de barreiras comerciais com envio de cartas a diversos líderes globais.