Brasileiros nos EUA viralizam com vídeos sobre inflação de alimentos; tarifas de Trump entram no centro do debate

Imigrantes relatam alta nos preços em supermercados americanos e apontam impacto das taxações sobre importados

Foto: reprodução

Vídeos publicados por brasileiros residentes nos Estados Unidos têm viralizado nas redes sociais ao mostrar o aumento expressivo nos preços de alimentos, especialmente carnes, em supermercados do país. Em um dos posts mais compartilhados, a usuária @crushdobbb20 exibiu bandejas de costela bovina que, segundo ela, custavam US$ 9 há um mês e agora chegam a US$ 17,47.

“O preço das carnes aqui nos Estados Unidos está um absurdo”, relatou, mostrando cortes que ultrapassam US$ 92 e até US$ 117, ainda encalhados nas prateleiras.

A tendência não se restringe ao X (antigo Twitter). Em plataformas como TikTok, YouTube e Instagram, imigrantes brasileiros documentam compras e expressam surpresa com a inflação. Canais no YouTube estampam títulos como “A maior inflação da cesta básica dos EUA em 2025”, enquanto vídeos no TikTok mostram americanos estocando alimentos, em meio a comentários de brasileiros que comparam os valores aos do Brasil. No X, o usuário @lazarorosa25 destacou: “Não param de surgir vídeos de brasileiros assustados com o preço da carne após a taxação imposta por Trump”, em post que superou 1.700 curtidas.

O fenômeno reflete o sentimento de insatisfação entre parte da comunidade brasileira nos EUA, estimada em mais de 1,5 milhão de pessoas. Muitos desses conteúdos contrastam a atual realidade com o “sonho americano”, ironizando os altos custos. “Carne não dá mais pra comer, tá igualzinho o Brasil”, escreveu a conta @Point__Pop. Já outros internautas contestam, como @ClauAker, que afirmou: “Não senti nenhuma diferença, e os americanos não estão nem aí para tarifa do Brasil”.

No centro da discussão estão as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump no início de 2025, voltadas a importações de países como Brasil, China e México. Relatórios apontam que essas medidas elevaram preços no atacado em até 40% em vegetais e outros alimentos importados. A NPR relatou que “a inflação continuou a afetar os compradores no mês passado, à medida que os consumidores arcam com mais custos das tarifas de Trump”. Já o New York Times destacou que as taxações seguem pressionando bens importados.

Entretanto, especialistas divergem. O Wall Street Journal pondera que estoques anteriores e ajustes de empresas podem ter atenuado os efeitos das tarifas, indicando que fatores como custos de energia, cadeias de suprimento e sazonalidade também influenciam a inflação. O próprio Trump negou impacto negativo: “As tarifas não causaram inflação ou quaisquer outros problemas para a América, além de grandes quantias de dinheiro entrando nos cofres do Tesouro”, disse.

Dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) mostram que o índice de preços de alimentos subiu 0,3% entre maio e junho, acumulando alta anual de 3%. Analistas da CNN avaliam que o repasse dos custos pode ocorrer de forma gradual, com empresas absorvendo parte da pressão antes de impactar diretamente os consumidores.

Enquanto o debate econômico prossegue, os vídeos de brasileiros seguem funcionando como um termômetro informal da economia americana, revelando como decisões de política comercial internacional afetam diretamente o cotidiano de imigrantes e consumidores nos Estados Unidos.