EUA enviam navios de guerra para a costa da Venezuela sob pretexto de combate ao narcotráfico

Operação reacende tensões na América Latina e levanta preocupações sobre possível ação militar na região

O governo dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, enviou três navios militares para a costa da Venezuela, alegando que a operação tem como objetivo combater o tráfico de drogas em águas internacionais. A movimentação, confirmada por diplomatas ao portal UOL e inicialmente divulgada pela agência Reuters, deve se concretizar até a noite desta quarta-feira (20).

As embarcações mobilizadas são os destróieres USS Gravely, USS Jason Dunham e USS Sampson. Fontes em Washington não descartam ainda o envio de aviões e um submarino à região do Caribe como parte da ofensiva.

Segundo o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, a operação busca conter a atuação de grupos criminosos que operam rotas marítimas para o tráfico internacional. “A droga é uma ameaça à segurança nacional dos EUA. Não podemos permitir que esses grupos operem com impunidade em águas internacionais”, declarou.

Medida levanta alerta na América Latina

A ação militar desencadeou preocupações entre governos da América Latina, incluindo o Brasil. Diplomatas monitoram os desdobramentos com cautela, temendo que a operação vá além da vigilância marítima e represente um passo para ações ofensivas diretas na região.

Nos bastidores, há receio de que o envio dos navios seja parte de uma estratégia para pressionar o governo de Nicolás Maduro, acusado por Washington de abrigar e proteger o chamado Cartel de Soles, organização ligada a militares venezuelanos e apontada como peça-chave no tráfico de drogas.

“O regime de Nicolás Maduro não é um governo legítimo. É uma organização criminosa que assumiu o controle de um país e ameaça até mesmo empresas americanas na Guiana”, afirmou Rubio.

Maduro reage e convoca milicianos

Em resposta, Maduro anunciou a ativação de um plano especial de segurança com mais de 4,5 milhões de milicianos armados para defender o território venezuelano. O presidente criticou duramente o que chamou de “ameaças bizarras” vindas dos Estados Unidos.

A tensão entre os dois países aumenta no momento em que Washington dobrou a recompensa pela prisão de Maduro para US$ 50 milhões, intensificando o clima de confronto diplomático e militar na região.