Musculação na adolescência é segura e recomendada, apontam estudos; mitos ainda alimentam receio entre famílias

Pesquisas mostram ganhos de força, densidade óssea e saúde mental, enquanto especialistas esclarecem equívocos sobre crescimento e riscos.

Crianças na academia Crédito: Shutterstock

A musculação na adolescência, embora ainda gere receio em muitas famílias, é considerada segura — e até recomendada — por entidades médicas. Estudos da American Academy of Pediatrics (AAP) indicam que adolescentes que praticam treinamento de força podem apresentar entre 10% e 20% mais densidade óssea que jovens sedentários. Já dados da Harvard Medical School mostram redução de até 10% de gordura corporal e ganho médio de 2,5 kg de massa magra após seis meses de prática.

Mesmo com o consenso crescente entre profissionais de saúde, alguns mitos persistem. O mais comum é o de que a musculação atrapalha o crescimento. Segundo o treinador da Smart Fit, Lucas Florêncio, essa crença se popularizou pela interpretação equivocada de casos isolados de lesões em competições de levantamento de peso extremo.
O medo surgiu da observação de lesões em contextos de esforço máximo e técnica inadequada. Isso acabou sendo generalizado para a musculação como um todo, o que não faz sentido”, afirma. Ele explica que as placas de crescimento são vulneráveis a impactos descontrolados — não ao treino de força bem orientado.

Pesquisas recentes reforçam que o treinamento supervisionado não aumenta o risco de lesões nessas regiões e ainda contribui para o fortalecimento ósseo, proteção articular e menor incidência de machucados em outras modalidades.

A seguir, os principais mitos e verdades sobre a musculação na adolescência:

“Adolescente não pode malhar” – MITO

Florêncio afirma que essa é uma interpretação distante da realidade. O treino de força oferece benefícios físicos e emocionais: melhora da composição corporal, aumento de força, fortalecimento ósseo e redução de lesões. Estudos também apontam ganhos de autoestima, concentração e redução de sintomas de ansiedade.

“Musculação atrapalha o crescimento” – MITO

A literatura científica rejeita essa hipótese. “O risco é negligenciável quando o treino é supervisionado e focado na técnica antes da carga”, diz o treinador. O estímulo mecânico da musculação, inclusive, é um dos principais fatores para o aumento de densidade óssea durante a adolescência.

“Existe idade certa para começar?” – PARCIALMENTE VERDADE

A idade exata não é o critério principal, e sim o estágio de desenvolvimento. Crianças a partir dos 7 anos podem iniciar treinos com peso corporal e resistências leves, enquanto a musculação com máquinas e pesos livres é segura a partir do início da puberdade, desde que haja compreensão das instruções.

“O adolescente pode treinar como um adulto” – MITO

“Adolescentes não devem seguir rotinas idênticas às de adultos”, explica Florêncio. A prioridade deve ser técnica, coordenação e desenvolvimento neuromotor. As diretrizes recomendam cargas moderadas, duas a três sessões semanais, dias alternados e progressão gradual.

“Suplementos são necessários para ganhar massa” – PARCIALMENTE VERDADE

A maioria dos adolescentes não precisa de suplementação, afirma o especialista. A base deve ser uma alimentação variada e adequada. Whey protein e creatina são úteis em casos específicos e sempre com orientação nutricional.

A literatura científica aponta que a musculação, quando orientada por profissionais capacitados, não prejudica as cartilagens de crescimento e atua como fator protetor do sistema musculoesquelético. A supervisão profissional é considerada essencial para garantir execução correta e prevenir lesões.

A Smart Fit anunciou que adolescentes de 14 a 18 anos poderão treinar gratuitamente durante as férias, em horários específicos, nas unidades da rede na América Latina, por meio do programa “Rolê na Smart”. A iniciativa busca incentivar hábitos saudáveis desde cedo e mostrar que cuidar da saúde pode ser leve e prazeroso.