
A musculação na adolescência, embora ainda gere receio em muitas famílias, é considerada segura — e até recomendada — por entidades médicas. Estudos da American Academy of Pediatrics (AAP) indicam que adolescentes que praticam treinamento de força podem apresentar entre 10% e 20% mais densidade óssea que jovens sedentários. Já dados da Harvard Medical School mostram redução de até 10% de gordura corporal e ganho médio de 2,5 kg de massa magra após seis meses de prática.
Mesmo com o consenso crescente entre profissionais de saúde, alguns mitos persistem. O mais comum é o de que a musculação atrapalha o crescimento. Segundo o treinador da Smart Fit, Lucas Florêncio, essa crença se popularizou pela interpretação equivocada de casos isolados de lesões em competições de levantamento de peso extremo.
“O medo surgiu da observação de lesões em contextos de esforço máximo e técnica inadequada. Isso acabou sendo generalizado para a musculação como um todo, o que não faz sentido”, afirma. Ele explica que as placas de crescimento são vulneráveis a impactos descontrolados — não ao treino de força bem orientado.
Pesquisas recentes reforçam que o treinamento supervisionado não aumenta o risco de lesões nessas regiões e ainda contribui para o fortalecimento ósseo, proteção articular e menor incidência de machucados em outras modalidades.
A seguir, os principais mitos e verdades sobre a musculação na adolescência:
“Adolescente não pode malhar” – MITO
Florêncio afirma que essa é uma interpretação distante da realidade. O treino de força oferece benefícios físicos e emocionais: melhora da composição corporal, aumento de força, fortalecimento ósseo e redução de lesões. Estudos também apontam ganhos de autoestima, concentração e redução de sintomas de ansiedade.
“Musculação atrapalha o crescimento” – MITO
A literatura científica rejeita essa hipótese. “O risco é negligenciável quando o treino é supervisionado e focado na técnica antes da carga”, diz o treinador. O estímulo mecânico da musculação, inclusive, é um dos principais fatores para o aumento de densidade óssea durante a adolescência.
“Existe idade certa para começar?” – PARCIALMENTE VERDADE
A idade exata não é o critério principal, e sim o estágio de desenvolvimento. Crianças a partir dos 7 anos podem iniciar treinos com peso corporal e resistências leves, enquanto a musculação com máquinas e pesos livres é segura a partir do início da puberdade, desde que haja compreensão das instruções.
“O adolescente pode treinar como um adulto” – MITO
“Adolescentes não devem seguir rotinas idênticas às de adultos”, explica Florêncio. A prioridade deve ser técnica, coordenação e desenvolvimento neuromotor. As diretrizes recomendam cargas moderadas, duas a três sessões semanais, dias alternados e progressão gradual.
“Suplementos são necessários para ganhar massa” – PARCIALMENTE VERDADE
A maioria dos adolescentes não precisa de suplementação, afirma o especialista. A base deve ser uma alimentação variada e adequada. Whey protein e creatina são úteis em casos específicos e sempre com orientação nutricional.
A literatura científica aponta que a musculação, quando orientada por profissionais capacitados, não prejudica as cartilagens de crescimento e atua como fator protetor do sistema musculoesquelético. A supervisão profissional é considerada essencial para garantir execução correta e prevenir lesões.
A Smart Fit anunciou que adolescentes de 14 a 18 anos poderão treinar gratuitamente durante as férias, em horários específicos, nas unidades da rede na América Latina, por meio do programa “Rolê na Smart”. A iniciativa busca incentivar hábitos saudáveis desde cedo e mostrar que cuidar da saúde pode ser leve e prazeroso.




