
Durante participação no programa Conversa com Bial, exibido pelo canal GNT em 8 de agosto de 2025, o antropólogo Michel Alcoforado destacou que o racismo estrutural segue presente mesmo entre os grupos mais ricos do país. Autor do best-seller Coisa de Rico: A vida dos endinheirados brasileiros, ele compartilhou relatos pessoais e resultados de 15 anos de pesquisa etnográfica realizada junto à elite econômica brasileira, o seleto grupo dos 0,01% mais ricos.
Homem negro inserido em ambientes majoritariamente ocupados por brancos, o pesquisador foi direto ao afirmar que “nada apaga o preconceito racial”. Segundo ele, mesmo diante de riqueza, status social e acesso a espaços exclusivos, a cor da pele continua sendo um marcador que impõe limites e constrangimentos. “A riqueza no Brasil não é apenas dinheiro. Ela envolve poder, acesso e, sobretudo, pertencimento”, destacou.
Alcoforado ressaltou que esse sentimento de pertencimento pleno segue negado à população negra, independentemente da posição econômica alcançada. Em Coisa de Rico, lançado em 2025 e já com dezenas de milhares de exemplares vendidos, o antropólogo analisa os códigos de comportamento das elites brasileiras, diferenciando os chamados “ricos tradicionais”, que prezam pela discrição e pela herança familiar, dos “novos ricos”, mais propensos à ostentação. Ainda assim, o autor evidencia que o racismo atua como uma barreira invisível, porém persistente, em ambos os grupos.
As declarações repercutem debates históricos sobre desigualdade social e racial no Brasil, país profundamente marcado pela herança da escravidão. Para Alcoforado, as elites seguem empenhadas em manter fronteiras simbólicas que afastam os “outros”, e a raça permanece como um dos principais critérios dessa exclusão. A discussão reforça que o pertencimento social pleno continua sendo um privilégio restrito a poucos.




