Viagra, riluzol e vacina contra herpes-zóster mostram potencial no combate ao Alzheimer, aponta estudo

Pesquisa internacional indica que medicamentos já utilizados para outras doenças podem proteger o cérebro e reduzir marcadores associados à demência

Foto: Reprodução/Pfizer

Três medicamentos já utilizados para outras condições clínicas demonstraram potencial para tratar ou prevenir a doença de Alzheimer, segundo estudo internacional financiado pela Alzheimer’s Society. A pesquisa foi liderada pela University of Exeter e publicada na revista científica Alzheimer’s Research and Therapy.

Entre os fármacos analisados estão a sildenafila — princípio ativo do Viagra —, o riluzol, indicado para doença do neurônio motor, e a vacina contra herpes-zóster Zostavax. De acordo com os pesquisadores, todos apresentaram resultados promissores em modelos experimentais.

Os testes indicaram que a sildenafila pode proteger células nervosas e diminuir o acúmulo da proteína tau, que se deposita de forma anormal no cérebro de pacientes com Alzheimer. Em experimentos com camundongos, o medicamento também melhorou significativamente a memória e o raciocínio, além de aumentar o fluxo sanguíneo cerebral.

O acúmulo da proteína tau é considerado um dos principais marcadores da progressão da doença, o que torna os resultados relevantes para futuras investigações clínicas.

O riluzol, atualmente prescrito para tratar doença do neurônio motor, também apresentou efeitos positivos em estudos com animais. Segundo os dados divulgados, o medicamento contribuiu para a melhora do desempenho cognitivo e reduziu os níveis da proteína tau.

Os pesquisadores destacam que, embora os resultados sejam iniciais, o reposicionamento de medicamentos já aprovados pode acelerar o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas.

A vacina contra herpes-zóster, Zostavax, foi apontada como uma das candidatas mais promissoras do estudo. O levantamento sugere uma possível conexão entre infecções virais e o desenvolvimento de demência.

Alterações no sistema imunológico desempenham papel relevante no Alzheimer, e os pesquisadores observaram que a vacina interagiu com o sistema imune de forma potencialmente benéfica, auxiliando no combate a processos inflamatórios associados à doença.

Apesar dos resultados encorajadores, os cientistas ressaltam que os dados foram obtidos principalmente em modelos laboratoriais e animais. Novos estudos clínicos serão necessários para confirmar a eficácia e a segurança dessas abordagens em humanos.

O estudo reforça a estratégia de reaproveitamento de medicamentos já existentes como alternativa viável e mais rápida para enfrentar doenças neurodegenerativas como o Alzheimer, que ainda não possui cura e afeta milhões de pessoas em todo o mundo.