
O escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, informou nesta segunda-feira (9) que realizou 94 reuniões de trabalho durante a prestação de serviços jurídicos ao Banco Master.
De acordo com nota divulgada pelo escritório, a contratação ocorreu entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. Segundo o documento, os serviços foram prestados ao cliente Banco Master por meio de consultoria e atuação jurídica.
Ainda segundo a nota, o escritório afirma que “nunca conduziu nenhuma causa para o Banco Master no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF)”.
O comunicado informa que o trabalho foi realizado por uma equipe formada por 15 advogados. Para a execução dos serviços, o escritório também contratou três escritórios especializados em consultoria, que atuaram sob sua coordenação.
Segundo o documento, as equipes jurídicas atuaram desde o início do contrato, em 2024, até a liquidação extrajudicial do banco, em novembro de 2025, quando ocorreu o encerramento do contrato.
Reuniões de trabalho
De acordo com a nota divulgada pelo escritório, foram realizados 94 encontros durante o período de prestação dos serviços, 79 reuniões presenciais na sede do Banco Master, com duração aproximada de três horas cada, entre representantes do banco e a equipe jurídica do escritório para análise de documentos, discussão de questões jurídicas e desenvolvimento do objeto do contrato.
Também foram realizadas 13 reuniões com a presidência da instituição e a equipe jurídica, sendo duas presenciais na sede do escritório e 11 por videoconferência, com duração aproximada de duas horas.
Além disso, ocorreram duas reuniões por videoconferência entre o departamento jurídico do banco e a equipe do escritório, também com duração aproximada de duas horas.
A nota não informa os valores do contrato firmado entre o escritório e o Banco Master.
Prisão do dono do banco
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, voltou a ser preso na última quarta-feira (4) pela Polícia Federal, em São Paulo.
A prisão ocorreu durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos.
Segundo a Polícia Federal, os crimes teriam sido praticados por organização criminosa. A prisão foi autorizada pelo ministro do STF André Mendonça, que assumiu a relatoria do caso no mês passado.
Vorcaro já havia sido preso em novembro do ano passado ao tentar embarcar para a Europa em um avião particular no Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos. Para a Polícia Federal, havia indícios de tentativa de fuga do país.
Mensagens atribuídas a Moraes
Na sexta-feira (6), reportagem publicada no blog da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, divulgou prints de mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro enviadas ao ministro Alexandre de Moraes no dia 17 de novembro de 2025.
Segundo a reportagem, as mensagens foram obtidas pelo sistema de perícia da Polícia Federal, que apreendeu celulares e outros dispositivos eletrônicos do empresário.
Após a publicação, a comunicação do Supremo Tribunal Federal divulgou nota na qual Alexandre de Moraes nega que as mensagens enviadas pelo banqueiro tenham sido direcionadas a ele.
Contrato com o banco
Em dezembro, outra publicação do blog da jornalista Malu Gaspar no jornal O Globo divulgou o valor do contrato firmado entre o escritório de Viviane Barci de Moraes e o Banco Master.
Segundo a publicação, de 9 de dezembro de 2025, o valor pago pelo banco ao escritório seria de R$ 3,6 milhões mensais por 36 meses, a partir de janeiro de 2024.
Até a divulgação da nota nesta segunda-feira, nem o ministro Alexandre de Moraes nem o escritório haviam se manifestado publicamente sobre os serviços prestados.
Caso Banco Master
A liquidação do Banco Master foi decretada pelo Banco Central do Brasil em novembro do ano passado.
A crise financeira também envolveu outras instituições do grupo, como o Will Bank e o Banco Pleno.
Segundo informações divulgadas à época, o banco operava sob risco elevado de insolvência, pressionado pelo alto custo de captação de recursos e pela exposição a investimentos considerados de maior risco.
Fonte: G1




