
A produtora GOUP Entertainment declarou que não recebeu recursos do empresário Daniel Vorcaro nem de empresas ligadas a ele para a produção do filme “Dark Horse”, obra inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A manifestação ocorre após reportagem do Intercept Brasil apontar que o senador Flávio Bolsonaro teria solicitado R$ 135 milhões ao banqueiro para viabilizar o projeto.
Em nota, a produtora afirmou que “não consta um único centavo” oriundo de Vorcaro entre os investidores do longa. Segundo a empresa, a legislação dos Estados Unidos impede a divulgação de nomes de financiadores protegidos por acordos de confidencialidade (Non-Disclosure Agreements), o que justificaria o sigilo sobre os aportes.
Apesar disso, documentos indicam que ao menos US$ 10,6 milhões — cerca de R$ 61 milhões — foram transferidos ao projeto entre fevereiro e maio de 2025, por meio de seis operações bancárias.
A GOUP sustenta que o filme foi estruturado dentro de um modelo de financiamento privado, sem uso de recursos públicos, com base em parcerias e mecanismos do mercado audiovisual nacional e internacional. A produtora também destacou que tratativas com possíveis apoiadores não significam, necessariamente, a concretização de investimentos.
No posicionamento, a empresa criticou tentativas de vincular o projeto a “fatos externos desprovidos de comprovação documental, financeira ou contratual” e afirmou estar disponível para prestar esclarecimentos às autoridades.
Já Flávio Bolsonaro declarou que a busca por recursos fez parte de uma iniciativa pessoal. “Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme”, afirmou.
Nota da GOUP Entertainment na íntegra
“A GOUP Entertainment esclarece, preliminarmente, que a legislação norte-americana aplicável a operações privadas de captação no setor audiovisual veda a divulgação da identidade de investidores cujos aportes encontrem-se resguardados por acordos de confidencialidade (Non-Disclosure Agreements). Trata-se de prerrogativa contratual e regulatória legítima, assegurada aos financiadores de projetos estruturados sob o regime de investimento privado, e que esta produtora é obrigada a observar.
Sem prejuízo das restrições acima e com o propósito de afastar especulações infundadas, a GOUP Entertainment afirma categoricamente que, dentre os mais de uma dezena de investidores que compõem o quadro de financiadores do longa-metragem Dark Horse, não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário.
A produtora reafirma que o projeto cinematográfico Dark Horse foi estruturado dentro de modelo privado de desenvolvimento audiovisual, por meio de articulações, parcerias e mecanismos legítimos do mercado de entretenimento nacional e internacional, sem utilização de recursos públicos.
Cumpre destacar, ademais, que conversas, apresentações de projeto ou tratativas eventualmente mantidas com potenciais apoiadores e empresários não configuram, por si só, efetivação de investimento, participação societária ou transferência de recursos — sendo improcedente qualquer ilação em sentido contrário.
A GOUP Entertainment repudia, portanto, tentativas de associação indevida entre a produção cinematográfica e fatos externos desprovidos de comprovação documental, financeira ou contratual.
A produtora permanece à disposição das autoridades competentes e da imprensa para os esclarecimentos cabíveis, reafirmando seu compromisso com a transparência, a legalidade e a integridade de suas operações.”


