Radialista Léo Valente critica guerra de espadas após morte de jovem em Sapeaçu: “Não podemos normalizar isso”

Segundo ele, prevalece entre muitos praticantes a sensação de que acidentes graves nunca acontecerão com eles.

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O radialista Léo Valente comentou, durante seu programa na Andaiá FM, sobre os riscos da guerra de espadas após a morte de um jovem durante a prática no São João de Sapeaçu, no Recôncavo baiano. Para o comunicador, a sociedade não pode tratar como normal uma atividade que, ao longo dos anos, já deixou pessoas com sequelas graves e agora também registra vítimas fatais.

Ao analisar imagens do acidente, Léo destacou que a maioria dos participantes se expõe aos riscos sem qualquer tipo de equipamento de proteção. Segundo ele, prevalece entre muitos praticantes a sensação de que acidentes graves nunca acontecerão com eles.

“O grande problema é que todo mundo pensa: nunca vai acontecer comigo. Eu observava o vídeo e vi que apenas uma pessoa usava capacete. Se a pessoa quer correr o risco, pelo menos deveria estar protegida”, afirmou.

O radialista também associou esse comportamento à sensação de invulnerabilidade comum entre os mais jovens, que muitas vezes se sentem estimulados a repetir atitudes praticadas por outras pessoas.

“Quando a gente é mais novo, a gente tem coragem de fazer tudo, de desafiar, porque se o outro vai, eu posso também. Se ninguém morreu, não sou eu que vou morrer”, disse.

Léo Valente ressaltou que acidentes podem ocorrer em qualquer circunstância, mas questionou a necessidade de se expor voluntariamente a uma atividade reconhecidamente perigosa.

“Se tem algo que tem um risco maior, por que eu vou enfrentar isso? Por que eu vou ficar fazendo isso?”, ponderou.

Durante o comentário, o comunicador também chamou a atenção para os riscos que a guerra de espadas representa para terceiros. Ele lembrou casos de incêndios provocados por espadas, pessoas que perderam a visão, sofreram amputações e, agora, a perda de uma vida.

“Por que nós vamos correr esse risco com tanto histórico de gente que perdeu visão, perdeu a mão e agora gente que perdeu a vida? Que prazer, que adrenalina é essa que pode representar a morte para você ou para alguém?”, questionou.

Para o radialista, o fato de a guerra de espadas ser considerada uma tradição cultural não pode servir como justificativa para ignorar os perigos envolvidos.

“Nós não podemos fechar os olhos, achar que isso é bonito, que isso é cultura, que isso atrai gente, porque isso também ceifa vidas”, afirmou.

Ao concluir o comentário, Léo Valente defendeu que a prática só poderia ser aceita caso fossem comprovadas condições de segurança para os participantes e para as pessoas que acompanham o evento.

“Nós não podemos normalizar isso, a não ser que se descubra e prove que tem uma maneira de jogar espadas de uma forma segura para quem está praticando e para quem está assistindo”, concluiu.