
A professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e influenciadora digital Bárbara Carine voltou a chamar atenção para o debate sobre racismo nas relações de consumo ao defender a criação de um “Código de Defesa do Consumidor Negro”. A declaração foi feita em um vídeo publicado nas redes sociais, no qual ela relata uma situação ocorrida durante o pagamento de uma refeição em um estabelecimento comercial.
Segundo Bárbara, o episódio aconteceu quando uma atendente perguntou diretamente se o pagamento seria realizado no crédito. Embora a abordagem seja comum em diversos estabelecimentos, a professora afirmou que interpreta esse tipo de situação como reflexo de estereótipos historicamente associados à população negra.
“Parece uma coisa boba, mas me irrita porque está vinculada a uma dimensão de escassez associada a pessoas negras. Entende-se que pessoas negras não têm dinheiro vivo, que pessoas negras sempre têm dinheiro futuro, e que a gente sempre vai pagar as coisas no crédito”, declarou.
Durante o vídeo, a educadora argumenta que o problema não está apenas em situações isoladas, mas em comportamentos que, segundo ela, são reproduzidos de forma recorrente no comércio brasileiro. Entre os exemplos citados, estão funcionários que apresentam primeiro produtos mais baratos para clientes negros, informam preços sem que sejam solicitados ou adotam atitudes de desconfiança dentro de lojas.
Bárbara defendeu que empresas ampliem o treinamento de equipes para evitar abordagens que possam reforçar preconceitos raciais. Ela mencionou uma experiência recente em uma palestra para colaboradores da empresa L’Oréal, onde teve contato com um manual de atendimento ao público voltado para práticas mais inclusivas.
“Você que trabalha com público, com atendimento ao público, você precisa ter certos cuidados”, afirmou.
Ao final da reflexão, a professora sugeriu a necessidade de ampliar o debate sobre direitos da população negra nas relações de consumo e lançou a proposta de um “Código de Defesa do Consumidor Negro”. Segundo ela, a iniciativa serviria para orientar empresas, conscientizar profissionais e combater práticas discriminatórias que ainda fazem parte da realidade de muitos consumidores.
A manifestação gerou repercussão nas redes sociais e abriu espaço para discussões sobre racismo estrutural, inclusão e a necessidade de promover um atendimento mais igualitário e respeitoso nos estabelecimentos comerciais.
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