Testemunhas são ouvidas na primeira audiência do caso Eva Luana

(Foto: Marina Silva / CORREIO)

A primeira audiência de instrução no caso da estudante de Direito Eva Luana, que acusa o padrasto de estupro, tortura e violência, ocorreu nesta terça-feira (16) no Fórum Clemente Mariani, em Camaçari, Região Metropolitana de Salvador.

Eva Luana e seu padrasto, Thiago Alves – que continua preso -, foram ouvidos pela Justiça. Além deles, outras testemunhas também prestaram depoimento no local, como o ex-namorado da menina. Estavam previstas 14 testemunhas. O pai de Eva Luana não estava presente no ato desta terça.

De acordo com pessoas próximas à Eva, ela estava nervosa mas muito confiante. Novas audiências deverão ocorrer ao longo do processo, que corre em segredo de justiça. Por conta disso, o CORREIO não consegue obter mais informações sobre a audiência de hoje.

Em fevereiro deste ano, a jovem, que é estudante de Direito, publicou um relato em se Instagram, dividido em cinco partes, sobre o pesadelo que viveu com o padrasto nos últimos oito anos. Estupros, agressões, torturas física e psicológica eram acontecimentos diários.

O padrasto de Eva foi indiciado por tortura, violência contra a mulher e estupro de vulnerável, pela Polícia Civil. No entanto, de acordo com o Ministério Público do Estado (MP-BA), ele pode responder por mais de dez crimes. A filha de 6 anos também é vítima no processo.

Controle
Em depoimento à imprensa Eva contou que Thiago tomou conta de tudo. Da família, da casa, da loja de materiais elétricos que a mãe dela tem em Camaçari. Isso logo evoluiu para o controle de tudo que ela fazia na vida. Para onde ia, quando ia, com quem ia, como se vestia. Ela era obrigada a mandar fotos, praticamente em tempo real, de todos os lugares onde estava.

Aos 13 anos, quando decidiu denunciá-lo, foi com a mãe à delegacia. Estavam certas de que aquele terror acabaria. Antes de ir à polícia, porém, passaram a noite na casa de uma amiga que as apoiava.

“Quando a gente estava na delegacia, ele foi para a casa dessa amiga. Invadiu a casa dela armado. Deu chute no portão e entrou com vários homens. E eu percebi: não posso ir para a casa de ninguém. O único lugar que eu tenho para ir é a delegacia. Só que ele me ameaçou, me fez retirar a queixa e eu não consegui dar prosseguimento a isso”, contou, em entrevista ao CORREIO.

Só que, a partir dali, as coisas só pioraram. A quase denúncia não deu em nada e resultou em ainda mais sofrimento. “Ali eu perdi a minha alma. E o que eu fui denunciar,  1 ano de sofrimento, se multiplicou em mais 8 anos”, narrou Eva, em seu Instagram.

*Correio




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