Páscoa, a libertação; por Pastor João Carlos

Celebrem os filhos de Israel a páscoa a seu tempo determinado. (Números 9.2)

O homem tem uma enorme capacidade de reverter o significado das coisas a seu favor, principalmente quando o assunto é ganhar dinheiro. É assim nas grandes celebrações: Natal, dias das mães, dia dos pais e, nesta época, a Páscoa. Na Páscoa a grande vedete é o ovo de chocolate. Ele virou símbolo, juntamente com o coelho. É uma pena. A Páscoa foi celebrada pela primeira vez pelo povo hebreu no Egito e foi às pressas, tendo como banquete um cordeiro assado, pães sem fermento e ervas amargas. Tudo isso simbolizando a urgência da tarefa, pois chegara o dia da Libertação. (Assim, pois o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a páscoa do Senhor – Êxodo 12.11). Foi a última refeição do povo de Deus escravizado por quatrocentos anos no território egípcio. Sem dúvida uma fuga espetacular. Moisés tinha recebido a missão de negociar a liberdade de Israel com Faraó, rei do Egito. Nada que Moisés pudesse fazer convenceria o inimigo a libertar o povo. Nenhuma arma humana foi usada como suporte da negociação, apenas Moisés contava com o auxílio do Senhor, então Ele enviava argumentos do céu em forma de pragas.
A última praga, a qual Faraó foi convencido, atingiu diretamente todas as famílias do Egito, inclusive a de Faraó: A morte dos primogênitos. Nela consistia uma passagem do anjo da morte por toda terra naquela noite, mas para Israel não ser atingido por essa praga, Deus orientou Moisés a que cada família matasse um cordeiro e com seu sangue fossem marcados os umbrais de todas as portas. Vendo o anjo a marca do sangue do cordeiro nas portas, passaria por cima delas e não atingiria ali nenhum primogênito. (Mas o sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; vendo eu o sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga para vos destruir, quando eu ferir a terra do Egito – Êxodo 1.13). Páscoa, portanto significa passagem. Passagem da escravidão à liberdade, passagem da morte para a vida.
O poder não estava no sangue do cordeiro em si, mas no cordeiro e na obediência do povo em marcar suas portas com o sangue. O Egito representava um lugar de escravidão, onde o povo de Deus não podia ficar mais. O Senhor estava atento ao clamor de sofrimento e resolveu, pela sua misericórdia agir. E agiu. O maior significado da Páscoa é apontar para a liberdade espiritual de todo aquele que crer em Cristo, nosso Cordeiro. O Egito representa o pecado matando espiritualmente o homem e a nossa Páscoa, nossa libertação é Jesus Cristo, que com Seu sangue deseja marcar nossas vidas. A morte espiritual não tem mais poder sobre todos que recebem pela fé a marca do sangue do Cordeiro que tira o pecado do mundo. A Páscoa é a nossa libertação e (Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestes no sangue do Cordeiro para que tenham direito à arvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas. Apocalipse 2.14). Não tem cabimento nem o ovo nem o coelho, sendo Jesus a nossa Páscoa.
Pr. João Carlos Gomes da Silva

[Pastor João Carlos é Teólogo, Pastor da Igreja Batista da Esperança; Psicanalista Clínico; Pós graduado em Teoria Psicanalítica pela Unifacs; Psicanalista didata;  COACH. integral Sistêmico.]