
Responsável pelo maior acervo de equipamentos cinematográficos reunidos no Instituto de Cinema e Audiovisual – IRA, instalado em Cachoeira (a 110 km de Salvador), no recôncavo baiano, o cineasta Roque Araújo, de 80 anos, usou as redes sociais para anunciar que a instituição fechou as portas. De acordo com Roque, faltou apoio por parte da prefeitura. Segundo ele, o executivo municipal deixou de contribuir para a manutenção do espaço.
O instituto, que já recebeu quase 50 mil visitantes de vários países, em três anos, funciona diariamente das 9h às 12h e das 14h às 17h. Roque diz que o Museu enfrenta situação de penúria para manter acesa a memória do cinema baiano. “Tenho dificuldades para arcar com as despesas e sem manutenção, o espaço corre o risco de fechar as portas neste ano”. O alerta foi feito no Facebook por ele, que administra o equipamento cultural e denuncia a necessidade de duas funcionárias, material de limpeza, reposição de lâmpadas e água para servir aos visitantes.
Segundo Araújo, o IPAC garante o local, a água e o pagamento da energia, e a Diretoria de Museus que ajuda a guardar os 3.400 equipamentos. “Sem continuidade do contrato de parceria firmado pela Prefeitura de Cachoeira, o Instituto Roque Araújo de Cinema e Audiovisual (IRA) deve fechar”, desabafou.
De acordo com ele, a verba bancava as funcionárias que auxiliavam na recepção de visitantes. “De vários municípios, estados e países que, nos seus três anos de funcionamento, registra nos livros a freqüência de aproximadamente 50 mil pessoas. É um dos mais visitados pontos turístico de Cachoeira juntamente com o Complexo Religioso da Ordem Terceira do Carmo e a Irmandade da Boa Morte”, diz.O administrador do Museu relata o sacrifício que está fazendo para manter o espaço. Atualmente ele paga o funcionário com o próprio dinheiro, além de outras despesas. “Pago minha passagem para lá, a hospedagem e a alimentação. Estou fazendo um trabalho para o benefício da cidade e não tenho suporte nenhum. Eu poderia ter colocado o Museu em qualquer outra parte do Brasil. No Rio, em São Paulo. Tive vários pedidos para levar para lá. Eu preferi a Bahia porque sou baiano e quis que os baianos tivessem o único museu específico de cinema e audiovisual”, lamentou.
O único apoio que o Museu está obtendo é do Governo do Estado através do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural – IPAC, que no imóvel onde funcionava uma Galeria de Arte no centro histórico de Cachoeira, abrigou o Museu com a exposição permanente de 900 peças raras de equipamentos cinematográficos.
O Museu preserva uma rica memória viva de parte do testemunho do cineasta Roque Araujo, que acompanhou todas as produções do cinema novo realizadas por Glauber Rocha. O acervo dispõe de de 3.400 equipamentos doados por cineastas, empresas produtoras de cinema e colecionadores.



