HRSAJ – UTI pode ser considerada a melhor chance de sobrevivência?

Confira a matéria com o coordenador da  Unidade de Terapia Intensiva do HRSAJ  Dr. José Américo (CRM 7840):

 HRSAJ  ?  O que é UTI?

José Américo – É o local onde se agrupa pacientes em risco de morte, com tecnologia avançada e pessoal capacitado para lidar com os equipamentos e pacientes.

HRSAJ –  As UTIs vem se evoluindo ao longo do tempo? Como?

J.A   –  A primeira UTI foi pensada na década de 60 com  conhecimento e recursos pequenos. Durante a década de 70 começou a evolução da ventilação mecânica e os métodos dialíticos  e a primeira UTI na Bahia foi inaugurada na década de 70 no Hospital Getúlio Vargas; durante a década de 80 os hospitais particulares começaram  a ter UTIs e surgiram os primeiros estudos internacionais que eram frutos mais do conhecimento  fisiológico e fisiopatológico,  do que de estudos controlados, os quais no final dos anos 80 e 90 começaram a nortear o pensamento científico com relação aos pacientes críticos. Desde a década de 80 já era preocupação de muitos  profissionais a humanização da UTI, e nas últimas duas décadas esta preocupação se tornou mais evidente devido aos estudos sobre delirium em pacientes internados nas UTI, ou seja, a UTI é um ambiente agressivo ao paciente e seu internamento causa distúrbios  como agitação e depressão que nos faz buscar menor dano possível na tentativa de salvar sua vida . Atualmente a ideia de internamento  em UTI é oferecer ao paciente a melhor chance para que o paciente sobreviva com o menor dano possível.

HRSAJ –   ? Diante destes questionamentos a UTI é sinônimo de morte?

J. A. – Muito interessante esta pergunta, em alguns estudos perguntaram a familiares de pacientes internados, qual a taxa de mortalidade em UTI e nestes as taxas ditas eram de 50 a 70%, quando em verdade a mortalidade chega a variar de 10 a 50% a depender da gravidade do paciente na chegada; sendo que a mortalidade gira habitualmente em 25%, ou seja, cada individuo  que chega tem mais chances de viver que morrer; mesmo sendo um momento difícil para a família e paciente precisamos pensar que a UTI é a melhor chance de sobrevivência.

HRSAJ –   ?Todo paciente grave deve ir para a UTI?

J. A ? Eu vou responder a esta pergunta citando um ditado chinês: ?Você avalia quem foi um homem por quantos e quem pranteiam no momento da sua morte?. É uma reflexão  que faço habitualmente com familiares de pacientes terminais. Ou seja, nos pacientes terminais o morrer na UTI ocorre sem lágrimas, é uma morte fria, distante dos seus entes queridos, então deve ir para UTI àquele que tem chances de  sobreviver  porque a  medicina evolui bastante, mas não consegue resolver a questão da imortalidade, diante de algumas muitas condições clínicas que não temos poder de reversão do quadro, o ?morrer? deveria acontecer cercado de familiares, fora do ambiente da UTI; por exemplo:  um paciente com câncer de pulmão avançado para o qual a oncologia não tem mais o que oferecer deve estar com seus familiares.

HRSAJ –  ? E como você avalia a UTI do HRSAJ?

J. A ?   Nossa UTI está assentada em cinco pilares:   1º  HUMANIZAÇÃO dispomos de uma equipe interdisciplinar com duas psicólogas, que participam ativamente do atendimento ao paciente e principalmente de seus familiares. Isto permite uma organização das dores e sofrimentos onde a compreensão de sequelas e gravidade ajudam no entendimento do prognostico. Estamos expandindo o horário de permanência das visitas na UTI das 11 às 15h, podendo os familiares participar do cuidado com paciente. 2º  INTERDISCIPLINIDADE ? existe uma diferença entre multidisciplinar e interdisciplinar (que temos aqui) porque a multidisciplinar as áreas estão ?empilhadas? na assistência  e na interdisciplinar todos os membros da equipe interagem, isso acontece diariamente através da visita interdisciplinar onde os diaristas junto com os médicos plantonista, enfermeira coordenadora, enfermeira da assistência, fisioterapeuta coordenador, fisioterapeuta de assistência, psicólogo e fonoaudiólogo  discutem holisticamente todos os pacientes onde todos tem voz ativa. 3º EDUCAÇÃO EM SERVIÇO ? a UTI do HRSAJ foi a primeira em uma área de 700 mil habitantes e quando viemos montá-la não havia nenhum profissional com treinamento específico em UTI, exceto o coordenador médico, o coordenador de enfermagem e de fisioterapia, estes com experiência e titulação na área de cuidado ao paciente critico; desde então, temos continuamente treinado profissionais da região nesse cuidado intensivo  e este trabalho tem repercutido ao cuidado geral na comunidade, além de sermos campos de estágios da UFRB e FAMAM. 4º  ORGANIZAÇÃO –   na pós graduação que fiz em gestão em Saúde fiquei com uma herança do quarteto PODC (Planejar, Organizar, Dirigir  e Controlar),  a nossa gestão à frente da UTI se caracteriza fortemente pela busca da excelência; estamos iniciando um processo de Acreditação Hospitalar e trabalhamos com vários indicadores de  qualidade na  assistência, ou seja procuramos indicadores numéricos que confirmem a busca dessa excelência. 5º ATUALIZAÇÃO ? traduzido pela busca em oferecer o melhor custo efetivo para melhores resultados e menor sofrimento possível.

Andréa Sued DRT 2055 Assessora de Comunicação HRSAJ