Juíza decide soltar sobrinhos de dono do Grupo Petrópolis e mais um investigado na 62ª fase da Lava Jato

A juíza Gabriela Hardt, da 13ª Vara Federal do Paraná, decidiu soltar Cleber Faria, Vanuê Faria e Silvio Pelegrini, que foram alvos da 62ª fase da Operação Lava Jato, nesta quarta-feira (7).

Cleber e Vanuê são sobrinhos do dono do Grupo Petrópolis, Walter Faria. Ele chegou a ser considerado foragido, mas se entregou à PF na segunda-feira (5).

Maria Elena de Souza, que também foi alvo da operação, teve a prisão temporária convertida em preventiva e continua detida na sede da Polícia Federal (PF), em Curitiba.

“Ou seja, todos imputaram a Maria Elena a responsabilidade pela parte financeira do grupo econômico, o que pressupõe possuir a confiança de Walter Faria, sendo que já havia indícios de que esta era a responsável pela movimentação das contas no exterior, vinculadas inclusive às operações espúrias realizadas com o Grupo Odebrecht”, declarou a juíza na decisão.

O Ministério Público Federal (MPF) tinha pedido a conversão da prisão temporária dos quatro investigados para preventiva, mas a juíza acatou o pedido apenas para Maria Elena.

Batizada de Rock City, a fase da operação mira o pagamento de propinas disfarçadas de doações eleitorais e operações de lavagem de dinheiro feitas pelo Grupo Petrópolis, da marca de cerveja Itaipava.

O Grupo Petrópolis, conforme as investigações, teria auxiliado a Odebrecht a pagar propina por meio da troca de reais no Brasil por dólares em contas no exterior.

Investigações

Segundo o MPF, as irregularidades são investigadas desde 2016, quando uma planilha com nomes de políticos e referência à cerveja Itaipava foi achada na casa do executivo da construtora Odebrecht Benedicto Junior.

Contudo, após a quebra do sigilo bancário dos investigados, notou-se que contas ligadas a Faria no exterior continuaram sendo movimentadas em 2018 e 2019, conforme a investigação.

O MPF informou que as investigações apontam que Walter Faria e outros executivos do Grupo Petrópolis atuaram na lavagem de cerca de R$ 329 milhões de reais em contas fora do Brasil.

A força-tarefa aponta ainda que o presidente do Grupo Petrópolis usou o programa de repatriação de recursos de 2017 para trazer ao Brasil, de forma ilegal, cerca de R$ 1,4 bilhão que foram obtidos de forma ilícita.

Em depoimento de delação premiada, o presidente do Grupo Petrópolis já tinha relatado o esquema à polícia em setembro de 2017.

O outro lado

O Grupo Petrópolis tem informado que “seus executivos já prestaram anteriormente todos os esclarecimentos sobre o assunto aos órgãos competentes. Informa também que sempre esteve e continua à disposição das autoridades para o esclarecimento dos fatos”.

A Odebrecht tem afirmado que tem colaborado “de forma permanente e eficaz com as autoridades, em busca do pleno esclarecimento de fatos narrados por ex-executivos da empresa” e que “são fatos do passado”.

*G1