Atividades que exigem pouco estudo são as que mais ganham profissionais no Brasil

As ocupações que mais ganharam trabalhadores em números absolutos no Brasil nos últimos nove anos são as que não exigem nível superior, como auxiliar administrativo, vendedor e ajudante de construção civil. Dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) do Ministério do Trabalho apontam que, de 2003 até o fim do ano passado, o mercado de trabalho formal cresceu 60% -de cerca de 30 milhões de vínculos empregatícios para 47,5 milhões. A Rais é a compilação de documentos que os empregadores enviam ao Ministério. Até 2003, a metodologia era outra.

Anselmo Luis dos Santos, professor de economia da Unicamp, credita o grande aumento de vínculos em ocupações que não exigem graduação ao crescimento da economia. “Quando o PIB aumenta, o setor de serviços contrata muito, mais do que outros setores. É uma tendência histórica no Brasil”, diz.Outro motivo disso, diz o professor Samir Cury, da Fundação Getulio Vargas, é que essas eram profissões nas quais havia muita informalidade, o que diminuiu nos últimos anos. Isso aconteceu, por exemplo, com os ajudantes de construção civil, segundo ele.

A atividade de auxiliar administrativo foi a que teve o saldo mais alto no período: cerca de 1,5 milhão. Esses profissionais “são 'pau para toda a obra', às vezes são recepcionistas, às vezes são digitadores”, diz Sebastião Luiz de Mello, presidente do Conselho Federal de Administração.

1,15 MILHÃO

Foi o acréscimo de formalizados em 2012; o total chegou a 47,5 milhões

128 MIL

Vendedores a mais; o maior crescimento entre todas as ocupações em 2012: são 1,5 milhão ao todo

 10 MIL

Auxiliar administrativo não teve grande aumento no ano passado, mas chegaram a 4,5 milhões

 52 MIL

Em 2012, houve queda do número de garis; eles somam 941 mil

 33 MIL

Trabalhadores de cultura de gramíneas, como cana-de-açúcar, a menos em 2012; agora são 230 mil. (Folha)