De Marcos Coimbra, soci?logo e presidente do Instituto Vox Populi:
O tamanho da aprova??o popular do governo Lula ? impressionante, pelo que conhecemos em nossa curta hist?ria como democracia moderna. Pode ser que em outros pa?ses, como alguns de nossos vizinhos, n?meros iguais aos seus n?o causem tanta impress?o. Aqui, no entanto, deixam todos boquiabertos.
Eles n?o chamam aten??o apenas pela magnitude, mas, tamb?m, pela perman?ncia em n?veis elevados. A rigor, eles n?o param de crescer desde quando Lula enfrentou seu inferno no segundo semestre de 2005, nas profundezas do mensal?o. Subiram durante o processo eleitoral de 2006, o que foi considerado natural, pois decorria da superexposi??o trazida pela campanha, mas n?o cederam em 2007, mesmo sem a m?dia excepcional.
Do come?o de 2008 em diante, o que era bom, melhorou e a popularidade do governo entrou em rota ascendente. Nela, prossegue atualmente. Ao contr?rio de seus antecessores, que terminaram pior (ou muito pior) do que quando come?aram, parece que Lula vai continuar subindo at? sua despedida em dezembro.
Esses altos n?veis de aprova??o tornaram-se o mais importante elemento do jogo pol?tico brasileiro e produziram efeitos em todos os lados. Dentro da coaliz?o governista, acentuaram a caracter?stica centr?peta de nosso sistema pol?tico, aumentando a concentra??o do poder no seu n?cleo. A candidatura Dilma ? a manifesta??o mais vis?vel desse fen?meno.
Nas rela??es internacionais, funcionaram como um endosso da lideran?a pessoal do presidente, fazendo com que fosse percebido, mundo afora, como uma unanimidade nacional. Seus interlocutores externos passaram a se relacionar com ele a partir dessa premissa.
Mas foi nas oposi??es que os efeitos da manuten??o da popularidade do governo em patamares t?o altos foram mais profundos. Ela desnorteou os advers?rios, deixando-os sem discurso e sem capacidade de rea??o. Como ser contra um presidente que tr?s, em cada quatro pessoas, consideram ?timo ou bom? Como fazer oposi??o a algu?m aprovado por 85% dos eleitores?
Com exce??o de algumas lideran?as (mais corajosas ou mais inconsequentes, conforme o ponto de vista), as bases dos partidos de oposi??o – seus l?deres locais, vereadores e, especialmente, prefeitos ? bem como muitos deputados e at? alguns senadores, preferiram n?o se desgastar com seus eleitores, evitando pol?micas e embates com o presidente. Com isso, s? refor?aram a tend?ncia ascendente de sua aprova??o.
Neste momento, quando entramos na reta final do processo sucess?rio, os impasses vividos pela oposi??o nos ?ltimos anos est?o se tornando mais agudos. Se foi dif?cil opor-se ao governo, como convencer os eleitores de que ? preciso mudar? Se a grande maioria de seus parlamentares, prefeitos, governadores, fez quest?o de n?o radicalizar em um discurso oposicionista ao longo de todo o segundo mandato de Lula, seria agora que o assumiria?
Veja-se o caso de Serra. Nos quatro anos em que conviveu com Lula como governador de S?o Paulo, sempre se apresentou como parceiro do governo federal, com desaven?as apenas pontuais. Houve, at?, quem dissesse que Lula ficaria tranquilo se fosse ele o vencedor este ano, t?o boas eram suas rela??es e t?o profundos seus la?os de amizade. Quem quis se iludir chegou a pensar que, para Lula, perder para Serra n?o era perder.
E o que vai acontecer na campanha este ano? Salvo o ex-governador, obrigado a desempenhar o indesej?vel papel de advers?rio de Lula, a maioria dos candidatos dos partidos de oposi??o vai querer tudo, menos arriscar-se ? derrota, confrontando os sentimentos dos eleitores. Aqui ou ali, quem concorre ao Legislativo talvez fale claramente que ? contra Lula e o que ele representa. Mas n?o esperemos o mesmo dos candidatos a cargos majorit?rios, aos governos estaduais e ao Senado. Quem precisa de maiorias n?o vai se indispor com elas.
Enquanto aumentam as press?es, vindas dos n?cleos de oposi??o ao governo na sociedade e na m?dia, para que Serra diga, sem rodeios, o que pensa, ele reluta. Tem consci?ncia de que, fazendo isso, suas chances na elei??o, que j? s?o pequenas, podem desaparecer.



