Meus amigos, eu estava assistindo aqui a um vídeo no YouTube dos anos 80, quando jornalistas perguntavam ao então prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, sobre sua postura diante da determinação que proibia fumar em restaurantes. Muitos jornalistas diziam que não viam nada demais e que achavam aquilo um absurdo. Paulo Maluf defendia a medida, dizendo que isso gerava polêmica, como o uso do cinto de segurança também gerou um dia. Havia jornalista que afirmava até que sentaria tranquilamente ao lado de uma pessoa fumante, porque, segundo ele, fumantes eram mais tranquilos, enquanto os não fumantes eram mais estressados.

Enfim, Paulo Maluf — acreditem —, que teve sua vida política envolvida em tantos escândalos de corrupção, quando a gente observa esse debate hoje, percebemos que ele estava certo, e os jornalistas, errados. Naquela época, achava-se um absurdo. Isso me leva a uma leitura sobre o recorte de uma época: o que era normal naquele tempo.
Outro dia vi um vídeo também em que um repórter perguntava às pessoas na rua o que achavam sobre os assassinatos de homossexuais que estavam acontecendo. E algumas pessoas, pasmem, respondiam: “Está certo, tem que matar mesmo.”
Outra situação é quando olhamos para o passado e ouvimos histórias sobre figuras como Zumbi dos Palmares. Há relatos de que ele teve escravos. Maria Quitéria, Joana Angélica — heroínas da Independência da Bahia — também, segundo pesquisas, possuíam escravos. Por quê? Porque naquela época era comum, era moda, talvez até status. Ter escravos era algo aceito socialmente, era assim que a sociedade funcionava, e todo mundo achava normal.
Recentemente, assisti a um documentário sobre trigêmeos que foram separados ao nascer. Eles foram doados por uma entidade em Nova Iorque, um orfanato, para famílias de classes sociais diferentes: uma de classe média, outra de classe baixa e outra de classe alta. Os três se reencontraram mais tarde, mas o documentário revelou que alguém quis fazer um experimento científico para acompanhar a vida deles e tentar descobrir se a ligação entre gêmeos era genética ou fruto da convivência.
Uma das pessoas que trabalhou com o médico responsável pela pesquisa contou que, quando tiveram a ideia de separar os trigêmeos, lá nos anos 1950, todo mundo achou normal. Ninguém disse: “Olha que absurdo separar irmãos gêmeos.”
O que quero dizer com isso, e trago aqui como reflexão, é que muitas das polêmicas que enfrentamos hoje, eu torço para que, no futuro, a gente olhe para trás e diga: “Como é que alguém pensava assim?”
Nos anos 90, por exemplo, era normal ligar a televisão e ver uma mulher seminua em pleno horário do meio-dia, procurando uma saboneteira no banheiro. Era normal também ver a TV fazendo piada com homossexuais, com anões, usando personagens negros apenas como empregados domésticos, como se esse fosse o único lugar social destinado a eles. E a gente achava tudo isso natural, aceitável, como se fosse um retrato legítimo do Brasil.
O que eu imagino é que, no futuro, algumas coisas que hoje são consideradas polêmicas serão vistas com espanto pela próxima geração. Elas dirão: “Nossa, como é que isso ainda era discutido? Como é que alguém questionava isso?”
Dou como exemplo os casos de racismo na Europa. Ainda hoje, alguém olha para outro e o chama de macaco, como fizeram com o Vinícius Júnior. Eu vi uma mãe chamar Vinícius Júnior de macaco ao lado do próprio filho. Quem sabe, no futuro, uma geração olhe e diga: “Como é que alguém fazia isso com um ser humano por causa da cor da pele?”
Que mais adiante não precisemos mais discutir coisas como vaquejadas, que ainda hoje são defendidas por senadores, que afirmam que aquilo não maltrata o animal. Quem sabe, no futuro, as pessoas se perguntem: “Como é que deixavam puxar o rabo do animal para que ele caísse? Como é que tanta gente se reunia para ver isso? Como é que achávamos isso divertido?”
Espero também que, em breve, alguém olhe para trás e questione o uso exagerado de agrotóxicos na nossa alimentação. Como é que permitíamos o consumo em larga escala de substâncias comprovadamente nocivas, muitas vezes já banidas em outros países? Como é que tanta gente ainda defendia o uso irrestrito, mesmo com alternativas sustentáveis sendo desenvolvidas?
Enfim, há muita coisa que é comum hoje e que alguns já consideram polêmica ou absurda de se discutir. Mas acredito que, no futuro, vamos olhar para trás e nos perguntar: “Como é que fazíamos isso? Como é que pensávamos assim?”
Meus amigos, eu estava assistindo aqui a um vídeo no YouTube dos anos 80, quando jornalistas perguntavam ao então prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, sobre sua postura diante da determinação que proibia fumar em restaurantes. Muitos jornalistas diziam que não viam nada demais e que achavam aquilo um absurdo. Paulo Maluf defendia a medida, dizendo que isso gerava polêmica, como o uso do cinto de segurança também gerou um dia. Havia jornalista que afirmava até que sentaria tranquilamente ao lado de uma pessoa fumante, porque, segundo ele, fumantes eram mais tranquilos, enquanto os não fumantes eram mais estressados.
Enfim, Paulo Maluf — acreditem —, que teve sua vida política envolvida em tantos escândalos de corrupção, quando a gente observa esse debate hoje, percebemos que ele estava certo, e os jornalistas, errados. Naquela época, achava-se um absurdo. Isso me leva a uma leitura sobre o recorte de uma época: o que era normal naquele tempo.
Outro dia vi um vídeo também em que um repórter perguntava às pessoas na rua o que achavam sobre os assassinatos de homossexuais que estavam acontecendo. E algumas pessoas, pasmem, respondiam: “Está certo, tem que matar mesmo.”
Outra situação é quando olhamos para o passado e ouvimos histórias sobre figuras como Zumbi dos Palmares. Há relatos de que ele teve escravos. Maria Quitéria, Joana Angélica — heroínas da Independência da Bahia — também, segundo pesquisas, possuíam escravos. Por quê? Porque naquela época era comum, era moda, talvez até status. Ter escravos era algo aceito socialmente, era assim que a sociedade funcionava, e todo mundo achava normal.
Recentemente, assisti a um documentário sobre trigêmeos que foram separados ao nascer. Eles foram doados por uma entidade em Nova Iorque, um orfanato, para famílias de classes sociais diferentes: uma de classe média, outra de classe baixa e outra de classe alta. Os três se reencontraram mais tarde, mas o documentário revelou que alguém quis fazer um experimento científico para acompanhar a vida deles e tentar descobrir se a ligação entre gêmeos era genética ou fruto da convivência.
Uma das pessoas que trabalhou com o médico responsável pela pesquisa contou que, quando tiveram a ideia de separar os trigêmeos, lá nos anos 1950, todo mundo achou normal. Ninguém disse: “Olha que absurdo separar irmãos gêmeos.”
O que quero dizer com isso, e trago aqui como reflexão, é que muitas das polêmicas que enfrentamos hoje, eu torço para que, no futuro, a gente olhe para trás e diga: “Como é que alguém pensava assim?”
Nos anos 90, por exemplo, era normal ligar a televisão e ver uma mulher seminua em pleno horário do meio-dia, procurando uma saboneteira no banheiro. Era normal também ver a TV fazendo piada com homossexuais, com anões, usando personagens negros apenas como empregados domésticos, como se esse fosse o único lugar social destinado a eles. E a gente achava tudo isso natural, aceitável, como se fosse um retrato legítimo do Brasil.
O que eu imagino é que, no futuro, algumas coisas que hoje são consideradas polêmicas serão vistas com espanto pela próxima geração. Elas dirão: “Nossa, como é que isso ainda era discutido? Como é que alguém questionava isso?”
Dou como exemplo os casos de racismo na Europa. Ainda hoje, alguém olha para outro e o chama de macaco, como fizeram com o Vinícius Júnior. Eu vi uma mãe chamar Vinícius Júnior de macaco ao lado do próprio filho. Quem sabe, no futuro, uma geração olhe e diga: “Como é que alguém fazia isso com um ser humano por causa da cor da pele?”
Que mais adiante não precisemos mais discutir coisas como vaquejadas, que ainda hoje são defendidas por senadores, que afirmam que aquilo não maltrata o animal. Quem sabe, no futuro, as pessoas se perguntem: “Como é que deixavam puxar o rabo do animal para que ele caísse? Como é que tanta gente se reunia para ver isso? Como é que achávamos isso divertido?”
Espero também que, em breve, alguém olhe para trás e questione o uso exagerado de agrotóxicos na nossa alimentação. Como é que permitíamos o consumo em larga escala de substâncias comprovadamente nocivas, muitas vezes já banidas em outros países? Como é que tanta gente ainda defendia o uso irrestrito, mesmo com alternativas sustentáveis sendo desenvolvidas?
Enfim, há muita coisa que é comum hoje e que alguns já consideram polêmica ou absurda de se discutir. Mas acredito que, no futuro, vamos olhar para trás e nos perguntar: “Como é que fazíamos isso? Como é que pensávamos assim?”




