
O empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, réu pelo homicídio do gari Laudemir de Souza Fernandes, afirmou que a vítima foi atingida por “uma bala perdida” durante entrevista ao Domingo Espetacular, da RecordTV, exibida na noite deste domingo (30). Ele é acusado pelo Ministério Público de ter atirado e matado o trabalhador após uma discussão de trânsito em Belo Horizonte, no dia 11 de agosto. Renê está preso no Presídio de Caeté, na Grande BH.
Na entrevista, o empresário classificou a morte de Laudemir como um “incidente”.
“Posso admitir que aconteceu um incidente”, disse.
“Provavelmente foi um acidente com a vítima: uma bala perdida pegou na vítima”.
Apesar de reconhecer que estava armado e passou pelo local do crime, Renê negou ter feito os disparos.
“Jamais faria isso. Eu não matei Laudemir”, declarou.
O réu também negou que estivesse exaltado durante a briga de trânsito. Disse ainda que deixou o local porque não se considerava culpado. “Eu não poderia mudar minha rotina por algo que eu não fiz.”
A defesa afirma que “não tem como atestar” que o réu tenha atirado contra a vítima. Questionado se pediria desculpas à família do gari, Renê negou: “Não posso pedir desculpas, porque não atirei.”
No entanto, Renê havia confessado à polícia, em 18 de agosto, que matou Laudemir com a arma da esposa, a delegada Ana Paula Lamego Balbino. Agora, ele alega que só assumiu o crime porque teria sido ameaçado por policiais durante o interrogatório.
Ele também declarou que a esposa não o visitou na prisão: “Nem sei se estou casado ainda.”
O crime
Laudemir trabalhava na coleta de lixo quando o empresário passou pela rua e discutiu com a motorista do caminhão. O gari e colegas intervieram, e o réu teria atirado contra o peito da vítima, segundo a investigação.
Ferido, o coletor foi socorrido ao Hospital Santa Rita, em Contagem, mas morreu. Renê fugiu do local e foi preso horas depois em uma academia de alto padrão no bairro Estoril, apontado pela Polícia Civil como autor do disparo.
Uma testemunha que estava com Laudemir afirma não ter dúvidas da autoria:
“Com certeza foi ele. Nem parou. Atirou e foi embora.”



