
Uma das pessoas intoxicadas por metanol em Ribeira do Pombal, no interior da Bahia, recebeu alta hospitalar nesta quinta-feira (1º). Lais Santana Dias estava internada no Hospital Geral Santa Tereza e deixou a unidade após evolução positiva do quadro de saúde.
O caso envolve sete vítimas ao todo. Três seguem internadas no hospital do município. Entre elas, Maria Viviana Santos Almeida, que apresentou melhora e foi transferida da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para a enfermaria.
Outras três pessoas, em estado mais grave, precisaram ser encaminhadas para Salvador, onde permanecem internadas no Hospital Couto Maia.
De acordo com as informações apuradas, seis vítimas consumiram a bebida contaminada durante uma festa de noivado, enquanto a sétima ingeriu o produto um dia antes do evento. As bebidas responsáveis pela intoxicação foram adquiridas no mesmo depósito.
Além de Maria Viviana Santos Almeida, Josefa Soares de Almeida também é tia da noiva. Também foram internadas Daniele Barbosa do Carmo Matos, prima do noivo, e Maria Clara Nascimento de Souza, sobrinha do noivo.
Lais Santana Dias, é amiga da noiva, e Edicleia Andrade de Matos, madrasta da noiva, que está internada no Hospital Couto Maia, em Salvador, onde encontra-se intubada.
Conforme informações da família, ela chegou a fazer hemodiálise porque estava com os rins comprometidos, mas houve uma melhora na função renal.
O sétimo paciente é Vinícius Oliveira Vieira, que não possui parentesco ou vínculo com as demais pessoas intoxicadas. Ele comprou bebida alcoólica no mesmo estabelecimento, no dia anterior, e não estava no noivado. Vinícius foi a primeira pessoa a passar mal.
Bebidas foram compradas no mesmo depósito
Em entrevista à TV Bahia, o subsecretário da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), Paulo Barbosa, afirmou que esta foi a única ligação entre as sete pessoas intoxicadas, uma vez que seis delas consumiram a bebida em uma festa de noivado e, a sétima, um dia antes do evento.
“O que havia em comum em relação às duas histórias: a do indivíduo que fez consumo isolado e o grupo que estava nessa festividade, é que ambos consumiram a mesma bebida – um determinado tipo de vodka – vendida pelo mesmo distribuidor. Esse foi um elo de ligação entre as duas situações”, detalhou.
Diante disso, a Polícia Civil, em conjunto com a Secretaria de Vigilância Sanitária do município, realizaram a lacração do estabelecimento onde o material foi comprado.
Conforme apuração da TV Bahia, outros dois estabelecimentos da cidade tiveram bebidas apreendidas.
Ainda segundo Paulo Barbosa, até o momento, nenhum outro caso suspeito de intoxicação foi registrado em Ribeira do Pombal, ou cidades vizinhas, após a internação das sete pessoas.
O laudo pericial, emitido pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT), confirmou a presença de metanol em bebidas alcoólicas apreendidas no depósito da cidade e nas amostras de sangue dos hospitalizados.
O metanol é uma substância altamente tóxica, capaz de provocar intoxicação grave, lesões severas e risco de morte.
Após a divulgação do resultado, a prefeitura de Ribeira do Pombal determinou a proibição temporária da comercialização e consumo de bebidas alcoólicas destiladas. Por meio da ampliação do decreto n.º 081/2025, a gestão municipal também proibiu o fornecimento e distribuição deste tipo de bebida. A regra se aplica a:
- estabelecimentos comerciais;
- bares;
- restaurantes;
- eventos públicos ou privados;
- comércio ambulante;
- e casos de distribuição gratuita;
- promocional ou venda indireta de bebidas destiladas.
A proibição segue até o dia 5 de janeiro. A fiscalização do cumprimento da medida está a cargo da Vigilância Sanitária Municipal, com apoio da Guarda Civil. Caso a regra seja desobedecida, podem ser aplicadas interdições cautelares, apreensão e inutilização de produtos, além de sanções previstas em lei.
Ainda na quarta-feira, o Ministério da Saúde afirmou, por meio de nota, que acompanha as notificações de intoxicação por metanol e mantém um monitoramento ativo junto aos estados. O órgão reforçou o estoque do antídoto para casos de intoxicação pela substância, com o envio de mais 100 unidades de fomepizol para a Bahia.
Segundo o ministério, a rede estadual conta com 318 ampolas de etanol e 206 unidades de fomepizol, utilizados para quebrar as substâncias tóxicas que surgem após o consumo do metanol.



