PM é condenado por deixar posto de trabalho para buscar mulher de empresário investigado por estupro, em aeroporto

Capitão foi sentenciado pela Justiça Militar após abandonar missão para prestar serviço particular em 2021.

Foto: Reprodução / CNN

O capitão da Polícia Militar de São Paulo Daniel Tonon Cossani, à época comandante do Batalhão de Polícia de Choque, foi condenado pela Justiça por descumprimento de missão ao abandonar o posto para prestar serviços particulares ao empresário Thiago Brennand, em 2021. O policial deverá cumprir pena de um ano em regime aberto.

A sessão de julgamento foi realizada na tarde de segunda-feira (23), no Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo (TJMSP). Segundo o tribunal, o Conselho formou maioria para a condenação do oficial, com quatro votos favoráveis e um contrário.

Além da condenação, os juízes concederam a suspensão condicional da pena pelo prazo mínimo legal. Ainda cabe recurso da defesa.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, à qual a CNN Brasil teve acesso, Cossani estava escalado para trabalhar das 7h às 19h do dia 28 de agosto de 2021, permanecendo de sobreaviso até às 7h do dia seguinte. No entanto, o oficial teria deixado o posto para exercer o trabalho extra que prestava a Brennand como segurança e motorista.

O documento aponta que o capitão se dirigiu ao condomínio residencial onde morava o empresário e o acompanhou até o Aeroporto de Guarulhos para recepcionar uma mulher.

Para o Ministério Público, a ação se enquadra como uma atitude de interesse próprio e para atender uma demanda particular.

O órgão ofereceu a denúncia em julho de 2025, com base no artigo 196 do Código Penal Militar, que trata de deixar de desempenhar missão atribuída.

À CNN Brasil, o advogado de defesa do policial afirmou que a condenação se trata de um processo prescrito e que irá recorrer da decisão.

“Estamos diante de um processo prescrito. Isso é matéria de ordem pública que será alegado já em sede de embargo declaração. A tese da defesa foi acolhida pela juíza presidente, ou seja, pela juíza togada. Infelizmente, os juízes militares seguiram o entendimento baseado no inquérito policial feito pela Corregedoria. Inclusive, um dos juízes era da Corregedoria, ou seja, se baseou num inquérito que não serve para um decreto condenatório, de modo que causou estranheza, mas será apresentado recurso de apelação para reformar essa sentença.”

Quem é Thiago Brennand

Condenado a mais de 20 anos de prisão, o empresário Thiago Brennand responde a nove processos no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), a maioria pelos crimes de estupro e violência contra a mulher. Após a decretação da prisão em 2022, ele fugiu para Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

Em abril de 2023, Brennand foi extraditado e preso no Brasil, inicialmente no Centro de Detenção Provisória I de Pinheiros. Em junho de 2024, foi transferido para a Penitenciária II de Tremembé, conhecida como “presídio dos famosos”.

A última condenação ocorreu em setembro de 2025, quando a Justiça de São Paulo o sentenciou a oito anos de prisão, em regime fechado, por estupro cometido entre 2015 e 2016, no bairro Jardim Europa, na capital paulista. Ele também foi condenado ao pagamento de indenização mínima de R$ 200 mil à vítima.