Especialista defende educação de homens como estratégia para reduzir violência contra a mulher

Advogado aponta prevenção e mudança cultural como caminhos para combater feminicídio e violência doméstica no Brasil

Violência contra a mulher
Violência contra a mulher - Foto: Pexels

A educação de meninos e homens é apontada como um dos caminhos mais eficazes para reduzir os casos de violência contra a mulher no Brasil. A discussão envolve ações de médio e longo prazo que passam por políticas públicas, justiça e transformação cultural, priorizando medidas preventivas para enfrentar o problema.

De acordo com o advogado Renan Alcantara, mestre em Políticas Sociais e Cidadania e monitor da Clínica de Apoio Contra a Violência à Mulher (Clavim), o trabalho educativo é essencial para promover mudanças de comportamento e combater o machismo estrutural.

“Com crianças e adolescentes, o trabalho na educação escolar deve ser relacionado ao tratamento do homem para com a mulher e também de combater o machismo contribuindo na formação de um cidadão melhor. Na fase adulta, buscar métodos mais efetivos de socialização”, destaca o advogado e autor do livro “A Anatomia da Violência”, lançado em dezembro de 2025.

Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, o país registrou 1.492 feminicídios e 3.870 tentativas de feminicídio em 2024, representando aumento de 0,7% e 19%, respectivamente, em relação ao ano anterior. O relatório também aponta 87.545 casos de estupro, o maior número já registrado, além de indicar que 65% das ocorrências de violência contra a mulher acontecem no ambiente familiar.

Na Bahia, o cenário também apresenta números elevados. De acordo com o Tribunal de Justiça do Estado (TJBA), foram registrados 31.302 pedidos de medidas protetivas de urgência em 2025, dos quais 30.163 foram concedidos. Apenas nos dois primeiros meses deste ano, 6.024 solicitações já haviam sido deferidas, indicando aumento na busca por proteção judicial.

Renan Alcantara – Foto: Leticia Vasconcelos

“O enfrentamento à violência contra a mulher não depende apenas da atuação da justiça, e investir na educação e na mudança de comportamento é fundamental, especialmente entre os homens, para que possamos construir uma sociedade mais justa e igualitária”, analisa a desembargadora Nágila Maria Sales Brito, presidente da Coordenadoria da Mulher do TJBA.

O livro “A Anatomia da Violência: O Ciclo Vicioso da Masculinidade Tóxica e o Caminho da Transformação” é a primeira obra de Renan Alcantara e reúne análises sobre violência de gênero no Brasil, com base em pesquisa acadêmica desenvolvida no mestrado em Políticas Sociais e Cidadania da Universidade Católica de Salvador (UCSal). A publicação também apresenta reflexões construídas a partir da atuação do autor na Clínica de Apoio Contra a Violência à Mulher, projeto de extensão da Universidade Federal da Bahia (UFBA) que presta atendimento gratuito a vítimas de violência doméstica e tentativas de feminicídio.

Livro A Anatomia da Violencia – Foto: Leticia Vasconcelos

O autor possui formação em Direito pela UCSal, especialização em Ciências Criminais e Direito Constitucional Aplicado, além de pós-graduação em Medicina Legal e Perícias Criminais. Atualmente, também atua como pesquisador na área de segurança pública e integra a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia (OAB-BA).