STF volta a discutir regras para responsabilização das redes sociais no Brasil

Google e Meta pedem esclarecimentos sobre decisão que ampliou a responsabilidade das empresas por conteúdos considerados ilícitos.

Imagem: reprodução

O Supremo Tribunal Federal (STF) retomará no próximo dia 10 de junho o julgamento que define as regras para responsabilização de plataformas digitais por conteúdos publicados por seus usuários. A análise ocorre após recursos apresentados por empresas como Google e Meta, que buscam esclarecimentos sobre a aplicação prática da decisão já proferida pela Corte.

O debate ganhou relevância após o STF considerar parcialmente inconstitucional o artigo 19 do Marco Civil da Internet, dispositivo que condicionava a responsabilização das plataformas ao descumprimento de uma ordem judicial para remoção de conteúdos. Com o novo entendimento, as empresas poderão ser responsabilizadas em determinadas situações após notificações extrajudiciais.

A decisão do Supremo também estabeleceu um chamado “dever de cuidado” para as plataformas digitais em casos envolvendo conteúdos ilícitos considerados graves. Entre eles estão publicações relacionadas a terrorismo, atos antidemocráticos, exploração de crianças e adolescentes, violência contra mulheres e práticas discriminatórias.

Agora, as empresas de tecnologia solicitam que o STF esclareça pontos considerados fundamentais para a aplicação da tese. Entre as dúvidas apresentadas estão os critérios para notificações extrajudiciais, a caracterização de conteúdos manifestamente ilegais e a definição do marco temporal para a implementação das novas regras.

Google e Meta também pedem que a Corte estabeleça um período de adaptação às exigências impostas pela decisão. Além disso, solicitam esclarecimentos sobre conceitos jurídicos que passaram a integrar o entendimento do tribunal, como “falha sistêmica”, “presunção de responsabilidade” e os limites do dever de monitoramento das plataformas.

A expectativa é que o julgamento ajude a definir parâmetros para a atuação das empresas de tecnologia no país e influencie diretamente o futuro da regulação das redes sociais e da circulação de conteúdo digital no Brasil.