A estudante Marcelle Mendes Mancuso, 21 anos, que fraturou a coluna depois de sofrer um acidente durante a prática de abdominal invertido, estava em seu primeiro dia na academia, em São José do Rio Preto, São Paulo. As informações são do advogado Eder Fasanelli, responsável pela Brasil Fitness e filho do dono da academia.
“Era o primeiro dia de aula dela na nossa academia, mas ela já treinava em outro lugar. Tinha experiência e, por isso, nem pegou ficha com professor, foi fazer o treino que provavelmente já fazia antes. Esse exercício que ela estava fazendo, inclusive, nem é recomendado para iniciantes”, disse Fanaelli.
O acidente aconteceu no sábado (9), mas o pai da jovem só registrou boletim de ocorrência na segunda-feira (11). De acordo com a polícia, Marcelle estava fazendo abdominal invertido, exercício em que o aluno fica pendurado pelos pés de cabeça para baixo, quando a cinta que a prendia estourou e ela caiu de cabeça no chão.
“Quando um professor viu Marcelle fazer o exercício sozinha ficou preocupado e foi até ela oferecer ajuda. Como era o primeiro dia dela e estava treinando sozinha, ele foi ajudar. Ela já estava terminando de fazer o exercício quando a fita que usava arrebentou e ela caiu”, disse Fasanelli, em entrevista ao G1 nesta terça-feira (12).
A jovem foi hospitalizada e ficou internada na UTI do Hospital de Base, com fratura na quinta vértebra e lesão na medula. O site G1 entrou em contato com a família da estudante, mas ninguém quis comentar o caso.
A assessoria de imprensa do Hospital de Base, onde Marcelle está internada, informou apenas que ela foi transferida para o quarto e seu estado de saúde é estável.
Exercício perigoso
De acordo com o advogado, a jovem usou um aparelho que não é recomendável para a prática do exercício.
“Ela fazia o abdominal invertido em um aparelho que serve para fazer 'rosca' de braço. Nem tem cinta para prender os pés lá. Geralmente, quem faz esse abdominal faz com personal [trainer], porque fica de cabeça para baixo”.
Em conversa com o G1, o advogado disse também que existem mais de 50 tipos de abdominais e que a forma invertida nem é colocada nas fichas para treino.
“Temos até máquinas próprias para fazer abdominal, mas essa forma invertida é um exercício alternativo que algumas mulheres costumam usar”.
Fasanelli nega que tenha havido falha no equipamento ou no procedimento adotado pela academia.
“Ela chegou lá e foi fazer o exercício sozinha. Aquela cinta não é para aquilo, não foi um professor nosso que indicou aquela cinta para aquele aparelho. Não houve absolutamente nada de falha de serviço ou de execução de serviço. Foi um acidente e, graças a Deus, o professor estava por perto, havia médicos treinando e ela teve um atendimento rápido. Agora, estamos preocupados com o pronto restabelecimento dela”.
O advogado disse também que, por causa do acidente, a academia está pensando em proibir este tipo de exercício. “Já não é recomendado e, agora, realmente pensamos em tornar proibido, porque depois de 10 anos de funcionamento esta é primeira vez que ocorre algo deste tipo”.
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