Tragédia em SP expõe risco da flexibilização das regras de trânsito, diz entidade

 

A Mobilização Nacional dos Médicos e Psicólogos Especialistas em Trânsito se manifestou, na tarde desta quarta-feira (25), sobre o grave acidente que matou 41 pessoas e deixou 10 feridas no interior paulista (veja aqui). Segundo a entidade, a tragédia expõe o risco da flexibilização das regras de trânsito no país.

Desde junho, o grupo vem lutando para que o Senado incorpore ao texto final do PL 3267/2019 uma emenda que impede a ampliação do prazo de validade da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para motoristas de veículos pesados, englobando os motoristas profissionais de ônibus e caminhões.

Para o grupo de profissionais da saúde, não deve ser dado aos motoristas profissionais o mesmo tratamento legal conferido aos condutores comuns. A maior preocupação dos especialistas recai para essa categoria em virtude da grande letalidade e gravidade dos acidentes envolvendo veículos com mais de 3,5 mil kg. Estimativas de entidades ligadas à segurança do trânsito indicam que pelo menos 6 pessoas perdem a vida a cada acidente envolvendo estes veículos.

“Hoje, infelizmente, essa tragédia demonstra que não se pode tratar da mesma maneira motoristas comuns e profissionais. Pelo menos 41 vidas interrompidas, e quantas mais serão necessárias para que revejam as trágicas intervenções realizadas recentemente no Sistema Nacional de Trânsito?”, questionou o coordenador da Mobilização e diretor da Associação Mineira de Medicina do Tráfego (AMMETRA), Alysson Coimbra.

Segundo pesquisa publicada pela Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), cerca de 283,5 mil acidentes de trânsito registrados em rodovias brasileiras nos últimos anos foram provocados por questões relacionadas à saúde dos motoristas.

“A equiparação do prazo de validade da CNH de motoristas profissionais ao de motoristas comuns negligência alterações graves de saúde que afetam a dirigibilidade. E esse estudo da ABRAMET demonstrou que 76% dos acidentes foram provocados por falta de atenção ao dirigir, fadiga, estresse, cansaço, deficit de atenção ou comprometimento do raciocínio. Essas condições provocaram 62% das mortes e 74% dos ferimentos”, explicou Coimbra.

As entidades médicas argumentam que 80% dos condutores de veículos pesados são autônomos e a maioria só passa por uma avaliação médica no momento de renovar a CNH. “Isso, aliado à rotina estressante, alimentação irregular e privação do sono, pode potencializar a manifestação de diversas doenças que aumentam o risco de graves acidentes, sendo que o próprio horário de ocorrência dessa tragédia é um importante fator a ser considerado na investigação das prováveis causas”, completou.

Fonte: BN



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