Centrais sindicais e MPT lançam aplicativo para denúncias de assédio eleitoral

Nova ferramenta busca combater práticas antidemocráticas de pressão para votos, com foco na proteção dos direitos dos trabalhadores

Nesta terça-feira (3), as principais centrais sindicais brasileiras, em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT), lançaram um aplicativo inovador para facilitar a denúncia de assédio eleitoral.

Foto: José Cruz/Agência Brasil

A prática, que envolve a pressão de empregadores sobre funcionários para que votem em candidatos específicos, é considerada crime e tem se tornado mais visível no Brasil desde 2022, com um aumento significativo no número de denúncias.

A iniciativa, desenvolvida pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Pública, Intersindical e o MPT, não requer download.

O aplicativo pode ser acessado por meio de QR Codes disponíveis nos sites das centrais sindicais e do MPT, permitindo que os trabalhadores realizem denúncias diretamente de seus celulares.

De acordo com Priscila Moreto, procuradora do MPT, o assédio eleitoral pode ocorrer de forma sutil, como quando um empregador sugere que o sucesso da empresa depende do voto em determinado candidato, insinuando que a não adesão poderia resultar em demissões.

Valeir Ertle, da CUT, ressaltou que o assédio eleitoral é particularmente prevalente em municípios menores, onde a pressão sobre os funcionários para apoiar candidatos preferidos pelos empregadores é mais intensa.

Danielle Olivares Corrêa, procuradora do trabalho, enfatizou que o direito ao voto é fundamental e que qualquer tentativa de manipulação deste direito transforma o trabalhador em um instrumento dos interesses do empregador.

Ela destacou que o assédio eleitoral é crime e que o MPT está preparado para investigar todas as denúncias feitas através do aplicativo.

Nas eleições de 2022, uma iniciativa semelhante entre as centrais sindicais e o MPT resultou em 3,5 mil denúncias de assédio eleitoral, um aumento de 1.600% em relação a 2018.

Além disso, o MPT expediu 1.512 recomendações e ajuizou 105 ações civis públicas relacionadas ao assédio eleitoral em 2022. Para auxiliar os trabalhadores a reconhecer práticas ilícitas, foram disponibilizadas cartilhas educativas pelas centrais sindicais e pelo MPT.