O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta quinta-feira (12) a Rede Alyne, uma reestruturação da antiga Rede Cegonha, com foco no cuidado humanizado e integral às gestantes e bebês, considerando as desigualdades étnico-raciais e regionais.

O programa visa reduzir a mortalidade materna em 25% até 2027, com uma meta de 50% para mulheres negras, que enfrentam taxas de mortalidade significativamente maiores.
Durante o lançamento em Belford Roxo, Rio de Janeiro, Lula relembrou emocionado a perda de sua primeira esposa e filho em 1971, atribuindo a tragédia ao descaso médico, principalmente por serem pobres.
“Cheguei do hospital, encontrei minha mulher morta e meu filho morto. Eu, hoje, tenho certeza absoluta que foi relaxamento, que foi falta de trato, porque as pessoas pobres muitas vezes são tratadas como se fosse pessoas de segunda categoria. E se é pobre e é mulher negra é tratada como se fosse de terceira categoria”, disse o presidente.
“E nós precisamos tratar todas as pessoas com respeito, com carinho, com muito amor, porque nós não iremos criar uma sociedade civilizada, humanamente respeitada, se a gente não tratar das pessoas, independentemente da cor, do berço que nasceu, da religião”, destacou Lula.
O programa, que homenageia Alyne Pimentel, uma mulher que morreu grávida por falta de atendimento adequado em 2002, busca garantir que todas as mulheres tenham acesso a cuidados de qualidade, independentemente de sua cor ou condição social.
O governo pretende investir R$ 400 milhões em 2024 e até R$ 1 bilhão em 2025 para melhorar a integração entre a atenção básica e os serviços de maternidade, reduzir desigualdades regionais e raciais, e triplicar o repasse para exames de pré-natal.
A Rede Alyne também ampliará a rede de maternidades, centros de parto normal, e bancos de leite, além de promover o uso do Método Canguru para cuidados neonatais.




