Bolsonaro aposta em apoio de Trump para tentar retorno ao Palácio do Planalto

Ex-presidente brasileiro também enfrenta investigações sobre suposto plano de golpe de Estado.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) declarou em entrevista ao jornal norte-americano The Wall Street Journal que conta com o apoio do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, para reverter sua inelegibilidade e retornar ao Palácio do Planalto.

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A entrevista foi publicada nesta quinta-feira (28), e Bolsonaro afirmou que Trump pode pressionar os ministros das Cortes superiores brasileiras para suspender a decisão que o impede de concorrer até 2030, imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Bolsonaro revelou que mantém contato próximo com Trump desde a vitória do republicano no início de novembro. Ele também sugeriu que Trump poderá apoiar a aplicação de sanções econômicas contra o Brasil durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, caso ele não consiga voltar à presidência.

Para Bolsonaro, a eleição de Trump representa uma “virada de jogo” para políticos de direita na América Latina, mencionando recentes vitórias de políticos de esquerda em países como México e Uruguai.

“Trump está de volta, e é um sinal de que nós também voltaremos”, declarou.

Em um momento simbólico da entrevista, Bolsonaro exibiu um livro autografado por Trump com a inscrição: “Jair – You are GREAT” (Você é ótimo). Ele também brincou com o slogan da campanha de Trump, adaptando-o para “MAAGA – Make All Americas Great Again” (Faça todas as Américas grandes novamente). Segundo o jornal, um porta-voz da equipe de Trump não respondeu a pedidos de comentário sobre a relação com Bolsonaro.

O ex-presidente afirmou que planeja registrar sua candidatura para as eleições de 2026, mesmo diante da inelegibilidade imposta pelo TSE. Ele disse que apostará na pressão de Trump sobre juízes brasileiros para garantir sua participação no pleito.

“Contanto que o tribunal eleitoral não recuse meu registro, ele é válido”, explicou Bolsonaro, sugerindo que os juízes poderiam adiar decisões até o fim do processo eleitoral.

No entanto, Bolsonaro enfrenta um cenário político complicado, marcado por investigações graves. A Polícia Federal indicou na semana passada que há evidências de que ele liderou um plano para impedir a posse da chapa presidencial eleita em 2022, que incluía até mesmo a morte de Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a PF, o ex-presidente tinha “pleno conhecimento” e domínio das ações planejadas pela suposta organização criminosa.

O relatório da PF detalha que as ações planejadas buscavam a abolição do Estado Democrático de Direito e a implementação de um golpe de Estado. Contudo, o plano não foi consumado devido a “circunstâncias alheias à vontade” dos envolvidos. Agora, cabe ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, decidir se irá denunciar Bolsonaro e os outros investigados, arquivar o caso ou solicitar novas investigações.

A entrevista ao The Wall Street Journal e os avanços das investigações colocam Bolsonaro em uma posição de incerteza, tanto em relação ao seu futuro político quanto às consequências legais dos fatos apurados pela Polícia Federal.