Caso Henrique: polícia descarta gesto em foto e diz que blusa com símbolo de facção pode ter motivado morte de adolescente em Jericoacoara

A morte de Henrique Marques de Jesus, de 16 anos, em Jericoacoara, Ceará, ganhou novos contornos com a conclusão de investigações da Polícia Civil. Segundo o delegado Júlio Morais, responsável pelo caso, o adolescente não foi morto pelo gesto feito com as mãos em uma postagem no Instagram, como se pensava inicialmente, mas por estar usando uma outra blusa com um símbolo ou desenho associado a uma facção criminosa rival.

Foto: Reprodução

O caso e a motivação

Henrique foi assassinado em 16 de dezembro de 2023, enquanto passava férias com o pai em Jericoacoara. Na noite do crime, ele foi ao que seria um ponto de venda de drogas, onde chamou atenção por causa da vestimenta. Suspeitos detidos confessaram que a camisa, com um possível símbolo de facção, levou os criminosos a suporem que o jovem pertencia a um grupo rival.

“O Henrique não faleceu em virtude de ter feito um símbolo numa postagem no Instagram. Ele faleceu porque chamou atenção dos criminosos por estar vestindo uma blusa, que teria um símbolo ou desenho relacionado a um grupo criminoso rival”, afirmou Morais.

O delegado também relatou que os criminosos acessaram o celular da vítima para confirmar suas suspeitas.

A peça de roupa que teria chamado atenção dos bandidos ainda não foi encontrada pela polícia. A imagem na camisa seria uma meia-lua. Em um vídeo que mostra Henrique rendido sendo levado pelos traficantes pouco antes de ser morto ele já aparece sem camisa.

Investigação e prisões

Até o momento, sete suspeitos foram identificados, incluindo três menores de idade. O celular de Henrique e a blusa ainda não foram localizados. O delegado mencionou que relatos dos detidos apontam a presença de imagens de armas e grupos de WhatsApp ligados ao PCC no celular do jovem, embora isso não tenha sido comprovado devido à ausência do dispositivo.

“Não temos absoluta certeza dessas informações. Não tivemos acesso ao celular da vítima. Ele nunca foi encontrado. A polícia crê nessa informação porque não houve contradição nos depoimentos”, explicou o delegado.

A visão da família

Danilo Martins de Jesus, pai de Henrique, contesta as conclusões da polícia. Ele afirma não estar sendo atualizado sobre o andamento do caso e acusa as autoridades de tentar incriminar seu filho.

“Estão querendo inverter a situação, como se ele fosse bandido para abafar o caso. Meu filho não é bandido”, declarou Danilo ao Metrópoles.

Henrique desapareceu após deixar o pai no centro da vila, dizendo que retornaria ao hotel mais cedo para descansar. Seu corpo foi encontrado no dia seguinte, em uma área isolada. Antes de ser morto, o adolescente foi torturado e teve uma orelha decepada.