Falta de bolsas em cursos procurados e pandemia reduziram matrículas no Prouni, dizem especialistas

Apesar do aumento na oferta de bolsas, percentual de vagas preenchidas caiu para 28% em 2024.

O número de estudantes matriculados em universidades com bolsas do Programa Universidade para Todos (Prouni) caiu nos últimos dez anos, mesmo com o aumento na oferta de vagas. Criado pelo Governo Federal em 2005, o programa concede bolsas integrais e parciais em instituições privadas de ensino superior, mas enfrentou uma queda de 32% nas matrículas ao longo da última década.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Em 2024, das 620 mil bolsas oferecidas, menos de 30% foram preenchidas. O índice de vagas não utilizadas subiu de 18% há dez anos para 72% no último ano, segundo dados do Sindicato das Instituições Privadas de Ensino Superior (Semesp).

O estudante Eduardo Almeida, que sonha em se tornar professor de Física, precisou adiar a graduação para ajudar a mãe com as despesas. “No ano de 2024, eu peguei para trabalhar. Só que isso acabou me prejudicando muito. Eu só percebi o quanto isso me prejudicou depois que eu entrei no cursinho”, relatou ao Jornal Nacional. Agora, ele considera ingressar no ensino superior pelo Prouni.

A educadora Claudia Costin aponta que a pandemia influenciou a decisão de muitos jovens, que optaram por trabalhar em vez de estudar.

“O jovem se desengajou dos seus estudos. Durante a pandemia, passou a ganhar dinheiro, a colocar dinheiro em casa e se sentiu valorizado dentro da família por conta disso. Estamos falando de entregador de pizza, entregador de comida, trabalhos que, sim, colocam uma certa renda em casa, mas não fazem com que esse jovem, e até o país, olhando em um sentido mais amplo, avance mais”, afirmou.

Outro fator apontado pela presidente do Semesp, Lúcia Teixeira, é a falta de bolsas para cursos mais procurados e as dificuldades financeiras dos estudantes para se manter na universidade.

“Às vezes, o aluno também consegue a bolsa, mas precisa de uma ajuda para se movimentar, para se alimentar”, disse.

Especialistas defendem maior divulgação do Prouni e incentivos para garantir a permanência dos alunos na universidade. O Ministério da Educação informou que reajustou em 20% a “Bolsa Permanência” para estudantes quilombolas, indígenas e alunos em vulnerabilidade socioeconômica de instituições federais.