A investigação da Polícia Federal revelou que servidores do INSS receberam, nos últimos anos, ao menos R$ 17,5 milhões em pagamentos de associações suspeitas, empresários e lobistas envolvidos em um esquema de descontos fraudulentos em aposentadorias. As informações constam em relatório obtido pelo portal UOL.

Entre os investigados está o procurador-geral do INSS, Virgílio Antônio Filho, afastado na semana passada por decisão da Justiça Federal. Segundo a PF, pessoas físicas e jurídicas ligadas a Virgílio receberam cerca de R$ 12 milhões desde o início de 2023.
A maior parte dos repasses teria vindo da empresa de Antônio Carlos Camilo Antunes, dirigente da Ambec (Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos). Em apenas cinco meses, entre fevereiro e junho de 2024, R$ 7,5 milhões foram transferidos à empresa da esposa de Virgílio, Thaisa Hoffmann Jonasson, a Curitiba Consultoria em Serviços Médicos S/A. Em maio do mesmo ano, um carro de luxo Porsche Taycan 2022 —avaliado em até R$ 1 milhão— também foi transferido para Thaisa.
Conhecido como “careca do INSS”, Antunes é apontado como responsável por obter dados de pensionistas usados para aplicar os descontos indevidos. O dinheiro repassado a familiares de Virgílio foi utilizado ainda na compra de bens. A irmã do procurador, Maria Paula Xavier da Fonseca Oliveira, recebeu R$ 630,7 mil de um escritório de advocacia vinculado ao grupo investigado, entre novembro de 2023 e abril de 2024.
Embora o CNPJ da empresa de Maria Paula esteja registrado em Recife (PE), ela adquiriu um imóvel de R$ 773 mil em Curitiba (PR), onde reside Thaisa. A soma dos repasses em dinheiro e bens à família de Virgílio chega a R$ 18,3 milhões em um período de pouco mais de seis meses.




