Circula nas redes sociais um vídeo que mostra uma suposta sucuri de proporções gigantescas nadando em um rio da Amazônia. A gravação, com som de hélices de helicóptero e legenda em inglês que afirma “Uma sucuri gigante foi avistada na Amazônia” é falsa, conforme apurou jornalistas da Agência Fato ou Fake, do G1.

Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a serpente exibida no vídeo “não corresponde à realidade”. Técnicos apontaram que a proporção do animal em relação à vegetação e à largura do rio é incompatível com a existência de uma sucuri real, mesmo considerando as maiores já registradas na natureza, com até 9 metros. A estimativa, com base na imagem, indicaria um animal de aproximadamente 25 metros, o que não existe na natureza. “Provavelmente, foi gerado por Inteligência Artificial (IA). Portanto, é fake”, concluiu o órgão ambiental.
A equipe do Fato ou Fake também consultou o biólogo Lucas Simões Lima, especializado em manejo de serpentes, que identificou várias inconsistências no vídeo. “Parece IA. Tem um momento em que surgem, aparentemente, duas cabeças. As dimensões do corpo são irregulares, e a coloração se assemelha mais a uma píton do que a uma sucuri verde”, afirmou.
Já o perito em crimes digitais Wanderson Castilho reforçou a conclusão ao observar o vídeo em câmera lenta: “Uma cobra desse tamanho teria quase 50 metros, e nunca existiu isso. Outro ponto é que, com esse tamanho e peso, ela deveria afundar, e não flutuar”. Ele também identificou que a “segunda cabeça” da cobra desaparece subitamente durante o vídeo, algo comum em conteúdos gerados por IA.
A equipe utilizou ainda a ferramenta InVid para dividir o vídeo em frames e realizar buscas reversas com o Google Lens. Os resultados levaram a diversas publicações em redes sociais, mas sem registros confiáveis, data, local ou testemunhas. Além disso, a câmera acoplada na aeronave que aparece no canto inferior do vídeo exibe imagens aleatórias, sem repetir a cena da serpente.
Por fim, uma checagem anterior, feita em 2023 pelo mesmo portal, mostrou como é possível identificar conteúdos reais, como no caso de uma píton-tapete de 4 metros registrada na Austrália — que, diferentemente da sucuri falsa, apresentava dados verificáveis e correspondência visual compatível com o ambiente e o animal.




