Com nome futurista e origem baiana, o FlatFish está chamando atenção como uma das maiores inovações tecnológicas do Brasil na área de manufatura avançada. O pequeno robô submarino atua a quilômetros de profundidade, realizando inspeções precisas em estruturas de petróleo e gás espalhadas pelo mundo.

Desenvolvido pelo Senai CIMATEC, em Salvador, em parceria com a Shell Brasil e o instituto alemão DFKI, o FlatFish é o primeiro veículo submarino autônomo (AUV) criado no Brasil. Seu desenvolvimento começou em 2014 e exigiu quase uma década de trabalho intensivo, troca de conhecimentos com especialistas internacionais e a formação de uma equipe altamente qualificada em robótica e inteligência artificial.
Projetado para operar sem controle humano direto e sem conexão física com embarcações, o robô tem como principal função inspecionar e monitorar infraestruturas submarinas, como dutos e equipamentos em plataformas offshore. Com tecnologia de ponta, ele coleta dados e produz imagens em 3D de alta resolução, permitindo a identificação precoce de falhas e prevenindo acidentes.
Com capacidade de mergulhar até 3 mil metros de profundidade, o FlatFish pode se movimentar em todas as direções e possui uma autonomia prolongada, o que reduz a necessidade de embarcações de apoio. Ao final de cada missão, o equipamento retorna à sua base subaquática — conhecida como “garagem submarina” — onde é recarregado para novas operações.
Segundo o gerente executivo do Senai CIMATEC, Leonardo Nardy, os desafios foram muitos, desde a formação de uma equipe especializada até o domínio das tecnologias de navegação e inteligência artificial. “Foram anos de intercâmbio com centros internacionais e testes em ambientes extremos, mas hoje temos uma tecnologia de classe mundial feita na Bahia”, destaca.
O FlatFish representa não só um avanço para a indústria de petróleo e gás, mas também um marco na inovação tecnológica nacional, mostrando que soluções de alto impacto podem nascer bem aqui, no litoral brasileiro.


