Valdemar Costa Neto diz que PL vai tentar barrar fim da escala 6×1 no Congresso

Declaração foi feita durante encontro com empresários em SP; proposta que altera jornada de trabalho tramita na Câmara e é prioridade do governo Lula.

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O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta segunda-feira (23), durante encontro com empresários em São Paulo, que o partido vai tentar barrar no Congresso o avanço da Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a escala 6×1. Valdemar participou do encontro e chamou a proposta que prevê o fim da escala de trabalho com apenas uma folga por semana de “uma bomba para o país”.

“Não é fácil para o país, não é fácil para os empresários que já reclamam dos nossos impostos e tudo mais”, falou.

Segundo ele, a pressão para que o projeto não avance na Câmara será grande. O dirigente avaliou que é “difícil um cidadão que é candidato a deputado federal ou a senador votar conta o [fim] da escala 6×1”, mas afirmou que “nós [o PL] vamos trabalhar para não deixar votar”.

“Nós vamos trabalhar para isso [barrar o fim da escala 6×1], para não prejudicar o país”, diz Valdemar Costa Neto, presidente do PL.

O presidente do União Brasil, Antônio Rueda, também se manifestou sobre o tema e defendeu “barrigar” a avaliação da PEC no Congresso. Para ele, a proposta é “muito danosa para a economia e para o setor produtivo”. “Quem vai pagar essa conta é o consumidor. Em todos os setores, a gente vai ser onerado”, disse. Ele destacou ainda que a discussão ocorre em ano eleitoral.

Para Valdemar, o debate reaparece sempre puxado “pelo mesmo pessoal”. Ele afirmou que o PL deve insistir em se diferenciar por meio de propostas na campanha do senador Flávio Bolsonaro à Presidência, mas não detalhou quais medidas pretende apresentar.

A proposta que acaba com a escala 6×1 avançou na Câmara dos Deputados após o presidente da Casa, Hugo Motta, encaminhar o texto à Comissão de Constituição e Justiça, destravando o andamento da matéria. A expectativa é que a votação no plenário ocorra até maio, na semana do Dia do Trabalho.

A PEC é apontada como uma das prioridades do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para 2026. O Planalto está aberto a concessões para aprovar o fim da escala 6×1. Líder do PT na Câmara, Pedro Uczai disse ao UOL que o partido aceita a escala 5×2, sem redução de salário e com limite de 40 horas semanais. O projeto original previa o máximo de 36 horas.

Enquanto isso, o setor empresarial tem atuado contra a proposta. As frentes parlamentares ligadas à indústria, comércio e serviços foram mobilizadas para fazer oposição ao texto. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou levantamento que aponta que a redução da jornada para 40 horas semanais pode elevar o custo da folha salarial das empresas de R$ 178,2 bilhões a R$ 267,2 bilhões por ano.

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) também criticou a proposta. Paulo Solmucci, presidente-executivo da entidade, afirmou que debater o fim da escala 6×1 em 45 dias é “oportunismo eleitoral” e que o assunto deve ser discutido com calma.

Empresas que já adotaram o fim da escala 6×1 afirmam que houve aumento de produtividade. Reportagem do UOL mostrou que as faltas diminuíram, assim como os afastamentos por doença e os pedidos de demissão. Para alguns setores, no entanto, a mudança pode reduzir a produtividade e aumentar o desemprego.