Correios registram prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025

Resultado divulgado nesta quinta-feira (23) aponta aumento das despesas e queda na receita da estatal.

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Os Correios divulgaram o balanço financeiro de 2025 nesta quinta-feira (23) e registraram prejuízo de R$ 8,5 bilhões. O resultado representa mais que o triplo do déficit anterior e marca o 14º trimestre seguido de resultados negativos.

A estatal acumula quatro anos consecutivos de prejuízo. Em 2023, o déficit apresentou redução, mas voltou a crescer em 2024, quando ultrapassou R$ 2,5 bilhões. Em 2025, o resultado negativo mais que triplicou, alcançando R$ 8,5 bilhões.

Segundo a empresa, a principal despesa no período foi o pagamento de precatórios, que somaram quase R$ 6,5 bilhões. A receita bruta chegou a R$ 17 bilhões, o que representa queda de 11% em relação ao ano anterior.

Ao anunciar os resultados, o presidente dos Correios destacou dificuldades relacionadas à queda de receitas, aumento de despesas com ações judiciais e pagamento de juros de empréstimos contratados para reforçar o caixa.

“É um ciclo vicioso. A empresa teve dificuldade de caixa. A dificuldade de caixa gera dificuldade de pagamento a fornecedores, isso afeta a operação. Ao afetar a operação, a gente macula a capacidade de aumentar volume ou de gerar novos contratos. A despesa geral não para. Por mais que a gente tenha dificuldade de receita, como a gente tem uma estrutura de custo muito rígida – ela está bem ancorada em custos que têm características de custos fixos -, quando a gente tem uma queda de receita, a gente não consegue diminuir a despesa no mesmo momento para poder fazer esse equacionamento”, diz Emmanoel Schmidt Rondon, presidente dos Correios ao Jornal Nacional.

Junto com os resultados financeiros, a estatal apresentou um balanço do plano de reestruturação. O resultado parcial ficou abaixo do esperado. O plano de demissão voluntária teve adesão de 3.181 funcionários, enquanto a expectativa era de 10 mil. Até o momento, a empresa arrecadou R$ 11 milhões com a venda de 11 imóveis e projeta alcançar R$ 1,5 bilhão com os leilões.

No fim de 2025, os Correios contrataram um empréstimo de R$ 12 bilhões com bancos públicos e privados. O recurso foi utilizado para cobrir parte das despesas e aumentar a liquidez da estatal. O contrato conta com garantia do Tesouro Nacional, o que prevê cobertura com recursos públicos caso a empresa não consiga cumprir os pagamentos.

Economistas avaliam que o plano de recuperação não tem sido suficiente para garantir a sustentabilidade da empresa.

“O programa de demissão voluntária é bem repetido e conhecido caminho para tentar resolver, porque pressiona as pessoas para se demitirem, e isso tende, obviamente, a reduzir as despesas. Como essa, tem outras soluções que aparecem. Mas o fato concreto é que o que nós sempre temos é que falta dinheiro, e a qualidade do serviço naturalmente se deteriora bastante”, diz Raul Veloso, presidente do Fórum Nacional do INAE.

“A empresa vai se deteriorando muito rapidamente e isso significa que o valor dela cai. Digamos que a alternativa seja privatizar: se você privatizasse um ano atrás, conseguiria um valor maior do que hoje. Se você só privatizar daqui a um ano, vai vendê-la muito mais barato. Porque, à medida que o tempo passa, ela desvaloriza por conta desse prejuízo todo”, afirma Paulo Feldmann, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP ao JN.