Anvisa determina recolhimento de produtos da Ypê após irregularidades

Decisão ocorreu após nova inspeção identificar falhas no controle microbiológico; bactéria encontrada em 2025 pode causar infecções graves

Produtos da Ypê
Produtos da Ypê foram recolhidos após avaliação de risco sanitário identificar falhas graves na produção • Divulgação/SEDCON

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária determinou, na última quinta-feira (7), o recolhimento de alguns produtos da marca Ypê após identificar irregularidades nos processos de fabricação da empresa.

A nova inspeção foi realizada depois do registro de um episódio de contaminação microbiológica na fábrica da empresa, ocorrido em novembro de 2025, quando foi detectada a bactéria Pseudomonas aeruginosa.

Embora a agência não tenha informado a presença da bactéria durante a vistoria realizada em abril de 2026, a Anvisa apontou falhas nos procedimentos adotados pela fabricante. Segundo o órgão, foram identificadas fragilidades no controle microbiológico, nos processos de limpeza e sanitização, além de problemas relacionados à rastreabilidade da produção.

De acordo com a Anvisa, essas irregularidades podem aumentar o risco de desvios microbiológicos em produtos saneantes.

A bactéria Pseudomonas aeruginosa é encontrada com frequência no solo, na água e em ambientes úmidos, como pias, piscinas mal higienizadas e sanitários. Em determinadas situações, ela também pode estar presente no organismo de pessoas saudáveis sem provocar sintomas.

Segundo informações do Manual MSD, referência na área da saúde, as infecções causadas pela bactéria podem variar de quadros leves a casos graves. Pessoas com imunidade baixa, diabetes, fibrose cística, pacientes hospitalizados e usuários de medicamentos imunossupressores estão entre os grupos mais vulneráveis.

A bactéria pode atingir diferentes regiões do corpo, causando infecções nos ouvidos, pele, olhos, pulmões, trato urinário, ossos, articulações, corrente sanguínea e válvulas cardíacas. Entre os sintomas mais leves estão irritações na pele, dor, coceira e secreções.

Uma das infecções mais conhecidas associadas à bactéria é a chamada “otite do nadador”, relacionada ao contato com água contaminada. A Pseudomonas aeruginosa também pode provocar foliculite, caracterizada pelo surgimento de pequenas lesões na pele após exposição prolongada a piscinas ou banheiras mal higienizadas.

Em casos mais graves, a bactéria pode causar pneumonia hospitalar e infecções severas na corrente sanguínea, aumentando o risco de choque infeccioso. Também há registros de infecções oculares capazes de comprometer a córnea e afetar permanentemente a visão.

Especialistas alertam ainda que algumas cepas da bactéria apresentam resistência a antibióticos, o que pode dificultar o tratamento e exigir uso prolongado de medicamentos intravenosos.