
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) completa 90 anos nesta sexta-feira (29) em meio a desafios na produção de estatísticas e conflitos internos entre a gestão do presidente Marcio Pochmann e parte dos servidores. As informações são do Jornal Folha de São Paulo.
Enquanto a direção fala em novos levantamentos, como a realização do 12º Censo Agropecuário, previsto para 2027, e uma contagem inédita da população em situação de rua, em 2028, o órgão ainda não publicou os microdados do Censo Demográfico de 2022.
Os microdados são informações detalhadas do recenseamento, que permitem análises mais aprofundadas de questões socioeconômicas por pesquisadores e formuladores de políticas públicas.
O IBGE chegou a anunciar que faria a divulgação em dezembro do ano passado, mas voltou atrás. Até o momento, não há data confirmada para a publicação.
A gestão de Marcio Pochmann afirmou, por email ao Jornal Folha de São Paulo, que a liberação das informações é “prioridade institucional”.
Conforme a presidência do instituto, os microdados serão divulgados quando estiverem “tecnicamente consistentes e devidamente protegidos do ponto de vista do sigilo estatístico”, acompanhados de novos protocolos de confidencialidade compatíveis com a era da inteligência artificial.
O avanço da IA é citado como um risco para a identificação de informantes. “O desafio contemporâneo das estatísticas públicas não é apenas divulgar dados, mas fazê-lo preservando a confiança social e a integridade institucional”, disse a presidência.
A edição anterior do Censo Demográfico foi realizada em 2010, período em que a inteligência artificial ainda não tinha a presença atual.
Naquele recenseamento, a publicação dos microdados estava prevista para dois anos depois, em 2012, conforme calendário disponível no site da pesquisa.
“O Censo 2022 não terminou ainda, porque a última etapa, o fechamento, é a divulgação dos microdados”, afirma a demógrafa e pesquisadora independente Suzana Cavenaghi, ex-professora da Ence (Escola Nacional de Ciências Estatísticas), vinculada ao IBGE.
“É uma situação muito constrangedora. Quanto mais atrasar, mais as pessoas vão dizer que o Censo foi ruim, mas não é isso.”
Conforme Suzana, é possível buscar tratamentos estatísticos para evitar a quebra de sigilo de informantes e garantir a divulgação dos microdados.
Segundo ela, se a variável sensível à Lei Geral de Proteção de Dados for o detalhamento da renda em determinado local, uma alternativa seria divulgar apenas as faixas de rendimento.
“Se o município é muito pequeno, você junta [estatísticas], divulga o dado que pode ser divulgado e os outros você agrega no nível mais alto”, afirmou à Folha.



