Deputada aciona MPF e pede suspensão de ferramenta de localização do Instagram

Parlamentar afirma que funcionalidade que compartilha localização em tempo real pode facilitar casos de perseguição, violência e invasão de privacidade.

Mapa do Instagram - Foto: Reprodução/Redes Sociais

A deputada federal Erika Hilton solicitou ao Ministério Público Federal (MPF) a suspensão imediata do novo recurso de localização lançado pelo Instagram. A funcionalidade, denominada “Mapa”, passou a ser disponibilizada aos usuários nesta semana e permite o compartilhamento da localização em tempo real entre contatos da plataforma.

Em publicação nas redes sociais, a parlamentar criticou a ferramenta e afirmou que ela representa riscos à privacidade e à segurança dos usuários, especialmente de mulheres, crianças e idosos.

“Um clique errado e a localização é compartilhada. Isso coloca em risco mulheres, crianças e pessoas idosas. Isso coloca em risco todas as pessoas que não aceitaram essa pataquada, mas que moram com um usuário que compartilha a localização em tempo real”, afirmou.

Segundo Erika Hilton, a implementação do recurso ocorreu sem uma avaliação adequada dos possíveis impactos relacionados à segurança digital e à exposição de dados pessoais. A deputada também acusou a controladora da rede social de priorizar interesses comerciais em detrimento da proteção dos usuários.

“Essa é uma função lançada de forma completamente irresponsável por uma big tech que só pensa em lucro e não se importa se uma nova funcionalidade pode acarretar casos de roubo, stalking, perseguição, violência, estupro ou assassinato.”

O novo recurso do Instagram foi disponibilizado na quarta-feira (10) e está integrado à área de mensagens diretas da plataforma. A ferramenta permite visualizar a localização de contatos que optarem pelo compartilhamento, além de exibir conteúdos vinculados a determinados locais.

Inspirado no Snap Map, recurso já utilizado pelo aplicativo Snapchat, o sistema busca ampliar a interação entre usuários por meio de informações geográficas. Apesar de o Instagram informar que a ativação depende da autorização de cada pessoa, a novidade gerou preocupações relacionadas à exposição de rotinas e deslocamentos.

Nas redes sociais, usuários relataram desconforto com a nova funcionalidade e levantaram questionamentos sobre privacidade. Entre as críticas publicadas, estão comentários sobre a possibilidade de monitoramento indevido e o aumento dos riscos de perseguição.

“O Instagram dando arma para stalker”, escreveu um usuário na rede X.

“Tô vendo a localização de um monte de gente no Instagram, inclusive de gente com quem nunca troquei uma palavra na vida”, publicou outra pessoa.

O pedido encaminhado ao MPF busca analisar os impactos da ferramenta e avaliar a necessidade de medidas para proteger os usuários enquanto a funcionalidade estiver disponível.