Governo avalia adiar fim do subsídio à gasolina após escalada da tensão entre EUA e Irã

Ministro Dario Durigan afirma que alta do petróleo exige cautela antes da retirada do benefício

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Foto: Divulgação

O governo federal poderá adiar o fim do subsídio à gasolina anunciado na semana passada em razão da escalada das tensões entre os Estados Unidos e o Irã. A informação foi confirmada nesta quinta-feira (9) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que afirmou que a medida será reavaliada diante da alta do preço do petróleo no mercado internacional.

Segundo o ministro, a possibilidade de novos impactos sobre o abastecimento mundial de petróleo levou a equipe econômica a adotar uma postura mais cautelosa antes de retirar o benefício concedido aos combustíveis.

“Ontem o petróleo voltou a subir para US$ 80 e aí temos que adotar com cautela a retirada de subsídio. Esta semana eu iria anunciar a retirada da gasolina, [mas] vou analisar a retirada na próxima semana, porque o preço da gasolina já está com um impacto diferente do que eu estava prevendo”, afirmou Durigan em entrevista à Rádio Gaúcha.

A reavaliação ocorre após os Estados Unidos realizarem, na quarta-feira (8), ataques contra mais de 90 alvos militares no Irã, encerrando o cessar-fogo que havia sido estabelecido entre os dois países.

Segundo o governo norte-americano, a ofensiva ocorreu após o Irã atacar pelo menos três embarcações comerciais que navegavam pelo Estreito de Hormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.

O agravamento do conflito elevou novamente os preços internacionais da commodity. Nesta quinta-feira (9), o barril de petróleo abriu o mercado em alta de aproximadamente 2%.

Em março, o governo federal anunciou um pacote de medidas para reduzir o impacto da alta dos combustíveis provocada pelo conflito no Oriente Médio e evitar uma paralisação dos caminhoneiros.

As ações incluíram a isenção do PIS/Cofins sobre o diesel e um subsídio de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores, financiado por meio da arrecadação do imposto de exportação sobre o petróleo bruto, atualmente fixado em 12%.

Já em maio, o Executivo ampliou a política de subsídios, criando um benefício de R$ 0,89 por litro para a gasolina nacional e importada, custeado com recursos da União.

Na última semana, o Ministério da Fazenda havia anunciado o início da retirada gradual do subsídio da gasolina, enquanto parte do benefício concedido ao diesel — equivalente a R$ 0,35 por litro — já foi encerrada.

Durigan destacou que o governo pretende acompanhar o comportamento do mercado internacional antes de decidir sobre os próximos passos.

“Ao mesmo tempo que a gente teve prontidão para fazer medidas, temos que ter prontidão para retomar a situação anterior.”

O ministro também lembrou que a isenção do ICMS sobre o diesel, acordada anteriormente com os estados, já foi encerrada, assim como parte das medidas emergenciais adotadas para conter a alta dos combustíveis.