TSE desmente Flávio Bolsonaro e reafirma que Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas ao Brasil

Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro - Foto: reprodução

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reafirmou que a empresa Smartmatic, citada pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nunca forneceu urnas eletrônicas para as eleições brasileiras. A manifestação da Corte ocorreu após declarações do parlamentar durante uma reunião com embaixadores, realizada na terça-feira (21), em Brasília.

Na ocasião, Flávio afirmou que muitas das urnas utilizadas no Brasil teriam a mesma origem de equipamentos produzidos pela empresa venezuelana, declaração que contraria informações já divulgadas pelo TSE.

Ao ser questionado sobre as declarações do senador, o Tribunal encaminhou uma nota publicada em 2020, na qual esclarece que a Smartmatic jamais vendeu ou programou urnas eletrônicas utilizadas nas eleições brasileiras.

Segundo o TSE, a empresa atuou apenas no treinamento de profissionais responsáveis pelo suporte técnico e operacional dos equipamentos.

“Em diversas oportunidades, o TSE reiterou que a empresa Smartmatic não forneceu nem fornece urnas eletrônicas para as eleições brasileiras, tampouco trabalhou na programação desses aparelhos. A empresa atuou apenas no treinamento de profissionais que prestaram suporte técnico e operacional para as urnas brasileiras”, informou a Corte.

Durante o encontro com representantes diplomáticos de diversos países, Flávio Bolsonaro voltou a levantar questionamentos sobre o sistema eleitoral brasileiro e mencionou suspeitas envolvendo urnas fabricadas pela Smartmatic.

“Muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”, afirmou o senador.

Apesar das críticas, Flávio declarou que não questiona diretamente o sistema eleitoral brasileiro e defendeu a presença de observadores internacionais nas eleições.

“Não estou questionando o sistema de eleição brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para nossa eleição e pessoas que têm conhecimento sobre essa tecnologia”, disse.

Participaram da reunião representantes das embaixadas dos Estados Unidos, China, Israel, Alemanha, Reino Unido, além de diplomatas de outros 35 países.

Antecedente envolvendo Jair Bolsonaro

O episódio ocorre em contexto semelhante ao de 2022, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) promoveu uma reunião com embaixadores para apresentar críticas ao sistema eleitoral brasileiro. Posteriormente, o TSE entendeu que houve uso da estrutura pública para disseminação de informações falsas sobre as urnas eletrônicas, decisão que resultou na inelegibilidade do ex-presidente.