Bruno Reis cogita retomar restrições duras semana que vem para frear salto da covid em Salvador

(Foto: Valter Pontes/SECOM/PMS)

 

O recado é claro e foi dado pelo prefeito Bruno Reis (DEM) na tarde de sexta-feira, durante a entrega de uma geomanta em Matatu de Brotas: caso a taxa de ocupação nas UTIs e os números de contaminados pelo coronavírus continuem em ritmo de galope acelerado, adotará novamente medidas mais rígidas de isolamento social para frear a trajetória de crescimento da covid já partir da próxima semana.

A declaração do prefeito de que a capital poderá reviver as restrições decretadas na mais dura fase da pandemia foi efeito direto de uma sucessão de más notícias. O índice nas unidades de terapia intensiva, que chegou a cair para perto de 50% em agosto de 2020, atingiu 64% na segunda passada e alcançou 72% quatro dias depois. Pela dinâmica de contaminação do vírus verificada em Salvador desde o início do mês, o percentual continuará subindo a ladeira se não forem tomadas posições firmes de modo imediato.

“O que mais preocupa a gente são os números de novos casos diários, o fator RT (que mede quantos são infectados por alguém contaminado) e a velocidade de aceleração. Então, há risco real de estar circulando outra cepa na cidade, muito mais agressiva, que tem feito os números crescerem, a ponto de trazer grande preocupação”, emendou Reis. Para tornar mais claro ainda o recado, o prefeito apresentou dados que justificam a tensão.

Em agosto, haviam 1.769 casos ativos, Agora, são cerca de 1.500, a maior quantidade dos últimos seis meses. A média de pacientes para serem regulados nas unidades de saúde, que alternava entre 30 e 40 na Bahia, chegou a 83. “É um número bastante elevado e preocupa muito, porque está muito próximo do pico da primeira onda. Todos os outros índices, que nos permitem tomar decisões, cresceram de forma acentuada”, destacou, ao alertar sobre o temor de uma eventual perda de controle sobre a doença.

Inchaço
O provável retorno das regras de isolamento lançadas no auge da pandemia é consequência também dos sinais de sobrecarga na rede pública de saúde. Sobretudo, nas Unidades de Pronto-Atendimento. “O problema são as pressões nas UPAs. Isso é real” , afirmou Bruno Reis. Na quinta-feira, existiam  83 pacientes para serem regulados, dependendo de leitos de enfermaria e de covid. Boa parte foi regulada. Hoje (sexta-feira), nas nossas UPAs, haviam 18 na fila.

“Esses números vinham baixos, mas (o inchaço) é no estado todo. E, efetivamente, tanto a prefeitura quanto o governo já estão chegando na quantidade de leitos que havia na primeira onda, e a capacidade de produzir leitos não é fácil. Mais do que nunca, precisamos do apoio da população”, apelou o prefeito, ao pedir que os cidadãos restabeleçam os cuidados de antes.

“Nunca quis isso. Já são praticamente 45 dias como prefeito e, em nenhum momento, adotamos medidas de restrições, porque os números vinham estáveis. Mas a gente começa a perceber uma curva ascendente que cresce de forma muito rápida”, complementou. Embora não tenha apontado por onde o cerco começaria, a lista é vasta e conhecida: fechamento do comércio, bares e restaurantes, shoppings, cinemas, templos, salões e segue o baile. A volta às aulas já havia sido descartada na quinta. Ou seja, recado mais claro que esse, impossível.

Bahia vai receber mais 400 mil doses até dia 23
A vacinação em Salvador, que foi interrompida durante a semana por falta de doses, deve ser reiniciada nos próximos dias e avançar para novas fases do plano de imunização.   Na mesma solenidade em que levantou a hipótese de endurecer o jogo para conter a recente escalada da pandemia, o prefeito Bruno Reis anunciou que o estado receberá 400 mil novas doses entre os próximos dias 17 e 23. Do total, cerca de 35 mil serão destinadas à população da capital.

“O ministro (da Saúde, Eduardo) Pazuello afirmou que, de 17 a 23 de fevereiro, estariam sendo distribuídas novas doses para a Bahia. Serão 400 mil, 200 mil ficam retidas e outras 200 mil são distribuídas. Então, devem vir para Salvador em torno de 35 mil a 36 mil doses, com base nas outras remessas”, informou o prefeito. Metade das vacinas ficará retida pela Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) para garantir a segunda dose de quem já recebeu a primeira.

A prefeitura também articula com o governo da Índia a compra de 300 mil doses da vacina de Oxford/AstraZeneca. A operação já está fechada, mas depende da autorização do Ministério da Saúde.