Sete meses após crime, Justiça ouve cinco testemunhas sobre assassinato de funcionários de ferro-velho em Salvador

Suspeitos de envolvimento no caso acompanharam audiência no Fórum Criminal de Salvador; corpos das vítimas ainda não foram localizados.

Cinco testemunhas de acusação prestaram depoimento nesta segunda-feira (16), em Salvador, durante a primeira audiência do processo que apura o assassinato de Paulo Daniel Pereira e Matusalém Silva Muniz, funcionários de um ferro-velho no bairro de Pirajá.

Foto: Reprodução

A sessão ocorreu sete meses após o desaparecimento dos dois jovens, que saíram de casa no dia 4 de novembro de 2024 para trabalhar como diaristas e não retornaram. Apesar dos corpos ainda não terem sido encontrados, eles são dados como mortos pela Polícia Civil (PC).

O empresário Marcelo Batista da Silva, dono do ferro-velho onde as vítimas atuavam, é apontado como suspeito de ter mandado cometer os crimes. O soldado da Polícia Militar Josué Xavier também é investigado por envolvimento nas mortes.

Segundo o G1 Bahia, os dois estiveram presentes na audiência, que aconteceu no Fórum Criminal de Salvador, no bairro de Sussuarana, e teve duração de cerca de quatro horas. Após os depoimentos, os dois deixaram o local.

Novas audiências devem ocorrer nas próximas semanas, com a oitiva de outras testemunhas arroladas no processo.

Relembre o caso

Os jovens desapareceram no dia 4 de novembro de 2024. Logo depois, policiais e bombeiros militares fizeram buscas no ferro-velho onde eles trabalhavam e também em locais próximos, mas eles não foram encontrados.

No dia 27 de março de 2025, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciou Marcelo Batista e o soldado Josué Xavier pelos homicídios de Paulo Daniel e Matusalém. Segundo o MP-BA, os crimes teriam sido praticados por motivo torpe, com uso de meio cruel e recursos que dificultaram a defesa das vítimas, além da ocultação dos corpos.

Quatro dias depois, em 31 de março, a Justiça da Bahia aceitou a denúncia e tornou os dois investigados réus no processo.

Marcelo Batista estava foragido desde a formalização da denúncia, mas se apresentou à Justiça na semana anterior à audiência. A Justiça concedeu liberdade provisória ao empresário, com medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno e proibição de deixar a cidade.

A investigação segue em andamento, com foco na responsabilização dos envolvidos e na tentativa de localização dos corpos.

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Marcelo é dono do ferro-velho onde jovens trabalhavam — Foto: Redes sociais