Chegando o mês de maio. Mês das mães, mês das noivas – por Gilnês Sampaio

 

Dizem que ser mãe é padecer no paraíso.

Paradoxal, não é verdade?

A grande questão está no que diz Nietzsche: “As mães, mais que amar os filhos, elas amam-se nos filhos”.

Mas as crianças crescem sem pedir licença.

Quando acordamos, nos perguntamos assustados: como cresceu esse danadinho que eu nem percebi!

Cadê a pazinha de brincar na areia?

Cadê o aniversariante vestido de palhacinho?

Os nossos filhos cresceram e fincaram  a bandeira da independência.

Ficamos órfãos dos nossos próprios filhos.

Lá estão eles vestidos com o uniforme da sua geração.

Ali estamos nós com os cabelos esbranquiçados.

Eles saíram do banco de trás e tomaram a direção da sua própria vida.

Eles cresceram e não esgotamos o nosso afeto.

Só nos resta rezar, torcer para que eles façam as escolhas certas.

Basta nascer o primeiro neto, e essa mãe reaparece desempenhando papéis que só ela sabe protagonizar.

O neto é o carinho estocado, não exercido no próprio filho.

Nos netos reeditamos o nosso afeto.

Mas eles também vão crescer e nossa orfandade vai continuar.

Precisamos nos conscientizar que os nossos filhos não são nossos. São filhos da vida. São como navios, eles chegam e se preparam para a saída, para continuar sua viagem.

O porto é seguro, mas o navio não pode continuar no porto. Ele foi feito para singrar os mares.

Quem ama solta a âncora.

Ame seu filho. Solte as amarras.

Gilnês Sampaio

Psicanalista Clínica Didata